No verão, a busca por uma pele mais uniforme costuma levar muitas mulheres ao sol com a expectativa de reduzir a aparência da celulite. O que poucas percebem é que esse efeito é apenas temporário. Embora o bronzeado crie uma aparência visualmente mais homogênea, a exposição solar excessiva atua de forma silenciosa e prejudicial, destruindo fibras de colágeno e elastina, responsáveis pela sustentação da pele. Com o tempo, essa perda estrutural favorece a flacidez e deixa a celulite ainda mais marcada.
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A contradição está justamente no curto prazo. Enquanto a pele está bronzeada, as irregularidades parecem menos evidentes. Quando a cor desaparece, porém, o que surge é uma textura mais fragilizada do que antes. O verão, assim, reforça um ciclo enganoso: o olhar se convence da melhora, mas a pele paga o preço depois.
Variações hormonais e de peso alteram o tecido subcutâneo, e as áreas já afetadas costumam ser as primeiras a apresentar novas irregularidades
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As altas temperaturas também influenciam essa percepção. Nos dias mais quentes, o organismo transpira mais e tende a reter líquidos como forma de proteção contra a desidratação. Esse inchaço temporário aumenta o volume do tecido subcutâneo, pressionando a superfície da pele e evidenciando os furinhos. Não se trata do surgimento de novas celulites, mas da intensificação visual das que já existiam. A retenção hídrica, nesse contexto, é um dos fatores que mais confundem a avaliação do próprio corpo durante o verão.
Para o médico Roberto Chacur, CRM-SP 124125, referência no tratamento da celulite, a crença no sol como aliado é resultado de uma combinação de mitos, urgência por resultados e comparações constantes. Ele relata que é comum ouvir no consultório frases como: “parecia que minha celulite tinha sumido, mas voltou pior”. Segundo o médico, o verão cria uma falsa sensação de melhora. “O sol não trata, não reduz e não reorganiza a pele. Ele apenas colore a superfície enquanto fragiliza a base”, afirma.
O sol camufla a celulite por um momento, mas entrega a conta depois. O bronze é um disfarce bonito que custa caro para a pele
Como evitar o aparecimento de celulites
Chacur reforça que a prevenção da celulite não está ligada a soluções rápidas ou estratégias sazonais. O cuidado exige regularidade. Manter a hidratação ao longo do dia ajuda a reduzir a retenção de líquidos que acentua os furinhos. Diminuir o consumo de sal e álcool contribui para o controle do edema. A prática de atividade física melhora a circulação e reduz a sensação de peso nas pernas. A drenagem linfática profissional pode aliviar o inchaço típico da estação, e o uso do protetor solar é indispensável para evitar a degradação do colágeno causada pela radiação UV.
No fim das contas, o verão não é o inimigo do corpo. O verdadeiro problema são as ilusões criadas em torno dele. O bronzeado pode enganar o olhar por alguns dias, mas a pele sempre revela o impacto real. Como resume o médico Roberto Chacur, a celulite não desaparece com o sol — ela apenas é disfarçada. Proteger a pele, portanto, é sempre a melhor escolha.

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