Procuradora dos EUA retira sigilo de denúncia contra Maduro

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Procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi retirou o sigilo de uma acusação formal apresentada por um grande júri federal no Distrito Sul de Nova York que imputa a Nicolás Maduro, capturado após ofensiva dos EUA em solo venezuelano realizada neste sábado (3/1), crimes de narcoterrorismo, conspiração para tráfico internacional de cocaína e uso de armas de guerra.

O documento sustenta que, desde pelo menos 1999, Maduro teria liderado uma conspiração contínua que utilizou instituições do Estado venezuelano para facilitar o envio de centenas de toneladas de cocaína aos Estados Unidos, em parceria com organizações classificadas como terroristas pelo governo norte-americano, como a FARC, o ELN, o Cartel de Sinaloa, o Cartel del Noreste (Zetas) e o Tren de Aragua.

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Segundo a denúncia, Maduro “sentou-se no topo de um governo corrupto e ilegítimo que, por décadas, protegeu e promoveu atividades ilegais, incluindo o tráfico de drogas”.

O texto cita que o esquema teria operado durante diferentes fases da carreira política de Maduro, incluindo quando ele foi deputado, chanceler, vice-presidente e chefe do Executivo. A acusação aponta que ele teria autorizado o uso de infraestrutura estatal, como aeroportos, forças de segurança e canais diplomáticos, para dar cobertura ao tráfico.

Entre os trechos destacados, a denúncia afirma que Maduro, quando ministro das Relações Exteriores, “vendeu passaportes diplomáticos venezuelanos a traficantes de drogas” e “facilitou voos sob cobertura diplomática para repatriar recursos do narcotráfico”.

Atuação de familiares de Maduro

O documento também descreve a atuação de familiares diretos. A esposa de Maduro, Cilia Flores, é acusada de participar de negociações com traficantes e receber subornos, enquanto o filho, Nicolás Maduro Guerra, é citado como envolvido em operações logísticas de envio de cocaína, inclusive em aeronaves ligadas à estatal petrolífera PDVSA.

De acordo com a denúncia, o tráfico operava por rotas aéreas e marítimas, com remessas que partiam do território venezuelano em direção ao Caribe, América Central e México, antes de alcançar os Estados Unidos. O Departamento de Estado norte-americano estima, segundo o texto, que entre 200 e 250 toneladas de cocaína tenham transitado anualmente pela Venezuela por volta de 2020.

A acusação também descreve reuniões entre integrantes do governo venezuelano e lideranças da FARC e do ELN, inclusive em instalações oficiais. Em um dos trechos, os promotores afirmam que autoridades venezuelanas “acolheram publicamente líderes da FARC em território venezuelano”.

O grande júri imputa quatro crimes principais: conspiração de narcoterrorismo; conspiração para importação de cocaína aos EUA; uso e posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos em conexão com o tráfico; e conspiração armada ligada a crimes de drogas.

Além das acusações criminais, o documento prevê confisco de bens e ativos obtidos direta ou indiretamente com os crimes descritos.

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