O uso de suplementos alimentares no Brasil tem atingido níveis recordes. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (ABIAD) indicam que o consumo de algum tipo de suplemento está presente em 59% dos lares e que, em 2023, houve um aumento de 8,1% no consumo geral em relação ao ano anterior. O que começa como busca por saúde e bem-estar, pode se transformar em risco real quando não há orientação profissional. O alerta é do nutricionista e professor da Afya Cruzeiro do Sul, Micael Dias, que observa no consultório um número crescente de pessoas usando substâncias sem diagnóstico ou real necessidade.
Docente da Afya Cruzeiro do Sul aponta que a busca por resultados rápidos e compras online impulsiona consumo inadequado, aumentando riscos para saúde/Foto: Reprodução
Segundo o especialista, a combinação entre pressão estética e acesso fácil tem levado a uma percepção equivocada de segurança. “Hoje, em cinco minutos, qualquer pessoa compra algo que vai colocar para dentro do corpo sem nem saber se precisa. As redes sociais vendem a ideia de ‘resultado rápido’ e isso tem um impacto enorme, principalmente nos mais jovens”, afirma Dias.
Janeiro é o mês do excesso e do impulso
O início do ano representa um período crítico. Com resoluções, metas estéticas e início de treinos, cresce a busca por suplementos sem avaliação profissional. “É justamente quando a motivação está alta que muita gente pula etapas. Vejo pacientes chegarem com sacolas de produtos comprados no impulso, achando que suplemento é a chave do resultado”, relata o professor da Afya Cruzeiro do Sul.
Engana-se quem acredita que suplementos são inofensivos. Sem orientação, o uso pode desencadear efeitos adversos, interferir em medicamentos e sobrecarregar órgãos. “O maior risco é achar que não tem risco. Pode afetar sono, pressão, fígado, rim e até piorar a saúde em vez de ajudar”, explica.
Os sinais de alerta incluem enjoo, alterações gastrointestinais, dor abdominal, palpitação, irritabilidade e mudanças na urina, sintomas que exigem avaliação profissional.
De acordo com Dias, adolescentes e praticantes de esporte recreativo estão entre os grupos que mais sofrem influência de padrões estéticos e estratégias usadas por atletas profissionais. “Cada organismo reage de um jeito. A comparação é o caminho mais rápido para um uso inadequado e perigoso”, observa.
Produtos naturais, fitoterápicos e suplementos de venda livre também exigem cautela. “A gente precisa tirar essa ideia de que algo é seguro só porque veio de uma planta. Tem muita fórmula duvidosa circulando, principalmente online”, adverte.
A compra pela internet, segundo o especialista, amplia riscos de adulteração, falsificação, prazo vencido e armazenamento inadequado, além de dificultar a rastreabilidade.
Quando o suplemento realmente vale a pena
Para o docente da Afya Cruzeiro do Sul, suplementar só faz sentido quando existe indicação comprovada. “Suplemento complementa, medicamento trata. Se a alimentação está organizada e os exames não mostram deficiência, não há motivo para uso. Quando há necessidade, aí sim o suplemento vira aliado”, afirma.
Antes de iniciar qualquer produto, recomenda-se avaliar três pontos: necessidade real, qualidade da alimentação e procedência do item. “Se alguma dessas respostas te deixar em dúvida, não comece. Pergunte antes”, reforça Dias.
Ao final, o nutricionista destaca que resultados duradouros dependem de rotina e orientação. “O cuidado com o corpo não precisa ser baseado em pressa ou comparação. Ele pode ser leve, consciente e seguro”, conclui.
Assessoria

Deixe um comentário