O Acre contabilizou 828 pedidos de reconhecimento da condição de refugiado ao longo de 2025, segundo dados atualizados do Sistema Nacional de Refúgio (Sisconare), vinculado ao Ministério da Justiça. O levantamento mostra que o estado é uma das principais portas de entrada de migrantes no país, especialmente em períodos de instabilidade política e social nos países vizinhos.
Entre os solicitantes, venezuelanos lideram com folga, somando 449 pedidos, mais da metade do total registrado no estado. Na sequência aparecem cidadãos da Colômbia (190), Cuba (71), Peru (29), Equador (26) e Haiti (24). Também há registros de pedidos feitos por pessoas oriundas de países da África, Oriente Médio e Caribe, o que evidencia a diversidade dos fluxos migratórios que chegam ao território acreano.
Dados oficiais mostram venezuelanos como maioria entre solicitantes no estado acreano/Foto: Reprodução
A concentração dos pedidos ocorre principalmente em municípios localizados na faixa de fronteira. Assis Brasil responde por 681 solicitações, enquanto Epitaciolândia registrou 111. Outras cidades aparecem com números pontuais, como Rio Branco (11), Cruzeiro do Sul (3) e Acrelândia (2).
O cenário ganha ainda mais relevância diante da crise política e militar recente na Venezuela, marcada por uma ofensiva anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que intensificou a tensão no país vizinho. A operação, amplamente repercutida internacionalmente, provocou instabilidade institucional, declarações de estado de emergência e temor entre a população civil, fatores que historicamente impulsionam o deslocamento forçado de pessoas em busca de proteção humanitária.
Crise política pode agravar ainda mais o pedido de refúgio, sobretudo entre venezuelanos que buscam proteção no Acre/Foto: Reprodução
Especialistas e órgãos federais avaliam que episódios de agravamento do conflito político ou militar tendem a refletir diretamente no aumento dos pedidos de refúgio em estados fronteiriços, que já possui histórico de acolhimento de migrantes venezuelanos desde a última década.
As informações fazem parte do painel do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), integrado ao Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra). A ferramenta permite cruzar dados por período, localidade, país de origem e perfil dos solicitantes, subsidiando políticas públicas e estratégias de acolhimento em regiões mais impactadas pelos fluxos migratórios.

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