Flávio Bolsonaro e vice esfriam sonho de Nunes de virar governador

Reprodução/TV Cultura
Ricardo Nunes em entrevista ao Roda Viva

Após ganhar força como possível candidato ao governo paulista, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), viu a possibilidade esfriar com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República e também pelo aumento da rejeição ao seu vice, coronel Mello Araújo (PL), no meio político.

Os planos do grupo de Nunes de vê-lo no Palácio dos Bandeirantes esbarraram na atuação do vice, que passou a criticar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e é visto como radical demais para assumir a prefeitura. Além disso, o apoio de Jair Bolsonaro (PL) a Flávio acabou fechando o caminho que poderia levar Nunes à disputa estadual, uma vez que Tarcísio só deixaria o espaço aberto no caso de ter apoio do ex-presidente na empreitada presidencial.

Em outubro, o cenário era outro e o prefeito estava animado com o quadro, segundo aliados. Nunes foi homenageado na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), quando políticos citaram seu nome como possível sucessor de Tarcísio. Na época, ele mesmo indicou que estaria disposto a assumir a tarefa em um discurso.

“Muita gente aqui falou um pouco do futuro. Eu, sinceramente, desejo concluir o mandato, mas se algum desafio vier pela frente, eu vou estar sempre às ordens para poder trabalhar pela nossa cidade, pelo nosso estado”, disse Nunes.

Um vice no meio do caminho

Desde o início do mandato, o vice-prefeito Mello Araújo tem sido fonte de desgaste para Nunes no mundo político. A possibilidade de que ele assumisse o lugar do emedebista vinha assustando aliados do prefeito.

Ao longo de sua atuação como vice-prefeito, Mello assumiu uma postura de fiscalizar contratos e a destinação de emendas parlamentares indicadas por vereadores. Quando assumiu a cadeira de titular durante viagem internacional de Nunes, barrou emendas de um vereador da base e exonerou servidores antes de comunicar Nunes.

Mello Araújo também ainda criticou Tarcísio, que tem capitalizado politicamente o espalhamento da Cracolândia. O vice, que atua diretamente na abordagem de dependentes químicos para convencê-los a aceitar tratamento, alfinetou o governador após não ser citado em uma reportagem da TV Record sobre ações no centro da capital.

Apesar de diversos grupos de usuários espalhados pelo centro e outras regiões da cidade, Tarcísio tem dito que a Cracolândia acabou. O vice de Nunes classificou como uma “grande enganação” uma fala de Tarcísio, que afirmou que a desocupação da favela do Moinho foi um “golpe fatal” para desmobilização do fluxo.

As críticas públicas ao principal aliado de Nunes caíram mal não só no Palácio dos Bandeirantes como na própria prefeitura.

Ciente da rejeição ao seu nome na política local, Mello Araújo afirmou estar preparado para uma candidatura ao Senado em 2026 caso o ex-presidente Jair Bolsonaro, seu padrinho político, peça para ele entrar na disputa. “Ninguém me quer na prefeitura”, disse ao Metrópoles.

Fator Flávio

Apesar do vice, os aliados de Nunes estavam otimistas em novembro, quando a pauta da segurança pública projetou Tarcísio com mais força a uma disputa nacional. O assunto ganhou destaque com a megaoperação que deixou mais de uma centena de mortes no Rio de Janeiro, fortalecendo a direita contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Tarcísio de Freitas é o nome favorito da Faria Lima e do centrão para tentar tirar o petista do poder, mas Jair Bolsonaro jogou água fria nos planos desses setores, além de pegar o próprio Tarcísio de surpresa.

Se as possibilidades de Nunes renunciar para disputar o governo já haviam sido prejudicadas por conta da atuação de Mello Araújo, a hipótese ficou ainda mais remota com o lançamento de Flávio.

O entorno de Tarcísio ainda enxerga o governador como “plano B” do grupo, caso a candidatura de Flávio perca fôlego. A avaliação de aliados do chefe do Palácio dos Bandeirantes é de que o senador ainda não virou alvo dos adversários e a forma como ele reagirá aos possíveis ataques ainda é uma incógnita.

Outros concorrentes

Mesmo que houvesse uma reviravolta e Tarcísio se lançasse ao Planalto, Nunes não teria o caminho livre entre os aliados do governador. O secretário de governo de Tarcísio, Gilberto Kassab (PSD), passou a se movimentar nas últimas semanas para se colocar como candidato ao governo paulista em 2026, cenário que só ocorreria com a saída de Tarcísio para a corrida nacional.

Kassab não seria o único concorrente de Nunes pelo cargo. Outros possíveis postulantes são o vice-governador Felício Ramuth (PSD), o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), e o ex-secretário e atual deputado federal Guilherme Derrite (PP).

Diante de tantos obstáculos, Nunes afirmou, no fim de novembro, de maneira mais categórica, que não concorreria nas eleições e que cumpriria seu mandato até 2028. Ele afirmou que se empenharia na campanha de Tarcísio, seja ao governo ou à Presidência. Ele citou, inclusive, o vice-governador Felício Ramuth como “tendência natural” a concorrer ao governo, caso Tarcísio dispute a vaga ao Planalto.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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