No tempo das diligências – ou do imperialismo sem máscara

Reprodução/Reuters
rubio trump

Foi pelo ralo em menos de 24 horas o principal argumento da direita brasileira para festejar o sequestro por forças militares norte-americanas do líder político venezuelano Nicolás Maduro.

Não foi para restabelecer a democracia na Venezuela que Maduro está preso desde sábado em uma penitenciária de Nova Iorque e será processado como suposto traficante de drogas ilícitas.

O sequestro deveu-se à cobiça americana pela maior reserva de petróleo do mundo, localizada na Venezuela. Também foi por petróleo que os Estados Unidos, em 2003, invadiram o Iraque.

À época, o então presidente George W. Bush disse que o Iraque do ditador Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa e apoiava os terroristas que atacaram os Estados Unidos no 11/9.

O Iraque não dispunha de tais armas, como restou provado por órgãos internacionais de inspeção. Nem apoiou os ataques que resultaram na morte de 2.997 pessoas em menos de um dia.

Bush derrubou o regime iraquiano e capturou Saddam que se escondera num buraco. Um arremedo de julgamento condenou Saddam à morte. Ele foi enforcado diante de câmeras de TV.

A ocupação americana do Iraque durou cerca de oito anos a pretexto de ajudar na formação de um governo democrático. Hoje, se tanto, o país é considerado uma autocracia eleitoral instável.

A governança democrática é prejudicada pela corrupção sistêmica, pela influência de milícias armadas que operam fora da lei e por interferências externas, especialmente do Irã.

No sábado, ao anunciar a prisão de Maduro, o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos “governariam” a Venezuela. Descartou a ascensão ao poder dos opositores de Maduro.

Ontem (4), o secretário de Estado Marco Rubio corrigiu Trump ao enfatizar que o governo manterá “uma quarentena militar” sobre as exportações de petróleo da Venezuela.

As forças americanas continuarão impedindo a entrada e saída de petroleiros que constam na lista de sanções dos EUA até que o governo venezuelano se abra a investimentos estrangeiros.

“É óbvio que eles não têm capacidade para reerguer a indústria petrolífera”, disse Rubio. Precisam de investimento de empresas privadas, que só investirão sob certas garantias.

E completou:

“Isso permanece em vigor, e é uma enorme influência que continuará existindo até que vejamos mudanças, não apenas para promover o interesse dos Estados Unidos, o número 1, mas também para levar um futuro melhor à Venezuela”.

Maduro foi preso, mas seu regime continua de pé. E seguirá de pé desde que ceda às exigências americanas sobre o comércio do petróleo e de outras riquezas minerais da Venezuela.

Os militares venezuelanos que entregaram Maduro de mão beijada aos Estados Unidos deram posse à presidente interina Delcy Rodríguez Flores que passou a cobrar a devolução de Maduro.

Em entrevista à revista The Atlantic, Trump advertiu:

“Se ela não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que o próprio Maduro”.

As declarações de Trump e de Rubio, segundo o The New York Times, equivalem à retomada da diplomacia das canhoneiras e à adoção do tipo de política imperialista do século XIX .

Para o senador democrata Mark Warner, da Virgínia, o objetivo de Trump de dominar o Hemisfério Ocidental levará a China e a Rússia a tentarem fazer o mesmo em suas áreas de influência.

Rubio rebateu:

“Este é o Hemisfério Ocidental. É aqui que vivemos e não vamos permitir que ele seja uma base de operações para adversários, concorrentes e rivais dos Estados Unidos.”

 

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Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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