Nunes minimiza direito internacional sobre Venezuela: "Demagogia"

Leon Rodrigues/Secom
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes - Metrópoles

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), disse, nesta segunda-feira (5/1), que questionar a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela sob o ponto de vista da violação ao direito internacional é “muita demagogia”.

“Que direito internacional se pode avocar quando você tem uma situação de uma eleição fraudada, de alguém que coloca 90% da população em estado de pobreza, quando você tem um estado que expulsa oito milhões de venezuelanos? É muita demagogia as pessoas virem falar de uma questão como essa numa situação específica de um país que estava vivendo à base de ações do narcotráfico e colocando toda a sua população em um estado de pobreza e de força pela ditadura”, afirmou Nunes.

A fala aconteceu durante entrevista a jornalistas — em uma agenda na zona sul da capital paulista — e representa uma subida de tom nas críticas de Nunes ao governo de Nicolás Maduro.

Dois dias antes, quando as primeiras notícias sobre o ataque americano vieram à tona, o prefeito publicou uma nota, sem citar Maduro nem Donald Trump, dizendo que “nenhum povo deve viver sob repressão” e afirmando continuar “solidário ao povo da Venezuela”.

Violação

A invasão dos Estados Unidos ao país latino-americano não encontra respaldo no direito internacional, de acordo com especialistas. A Carta das Nações Unidas, por exemplo, diz que os países membros da ONU devem evitar o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado.

O documento, inclusive, foi relembrado pelo embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese. Para ele, a ação americana é uma “flagrante violação” da carta.

Nunes, no entanto, disse nesta segunda, que é “muito bonito e poético” falar sobre direito internacional, mas que não se deveria “passar pano” para a situação vivida na Venezuela. “Eu escutei muita gente falando sobre o tal do direito internacional. Só esqueceram de falar do direito principal que é o direito à dignidade humana”, afirmou o prefeito.

Questionado no evento sobre as ameaças de Trump a outros países, como a Colômbia, Nunes afirmou que é preciso “eliminar os focos aonde se mantém o narcotráfico”.

“O país que tem a conivência com uma grande produção de cocaína e não acontece nada, não é possível que a gente vai ficar achando que isso é normal. Aquele governo tem a responsabilidade de dentro do seu território fazer as ações necessárias para que a gente elimine esse grande tráfico de drogas.”

A fala do prefeito paulistano abraça o discurso do presidente norte-americano que tenta justificar, em parte, a invasão à Venezuela sob o argumento de que Maduro seria o chefe de uma organização criminosa chamada Cartel dos Sóis — especialistas negam a existência do grupo. Trump também já chamou o presidente colombiano, Gustavo Petro, de “traficante produtor de cocaína”.

Petro tem respondido ao norte-americano. “Pare de me caluniar, senhor Trump. Não é assim que se ameaça um presidente latino-americano que chegou ao poder pela luta armada e, depois, pela luta do povo colombiano pela paz”, respondeu o colombiano na rede X.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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