
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, segue detido em uma penitenciária federal, e a única disponível no Brooklyn, em Nova York (EUA), após passar por audiência de instrução em um tribunal de Manhattan, nesta segunda-feira (5/1) .
O chavista, que foi capturado em Caracas por militares norte-americanos neste sábado (3/1), foi levado ao Centro de Detenção Metropolitano (MDC, na sigla em inglês), um lugar constantemente descrito como “precário”, “violento” e “um inferno na Terra”. Chamada também de “prisão dos famosos”, o espaço abriga mais de 1,3 mil detentos.
Captura e julgamento
Saiba sobre presídio onde Maduro está detido.
Construído na década de 1990, o local onde o chavista está detido é um grande complexo prisional de concreto e aço localizado no bairro do Brooklyn. A unidade fica a poucos metros do porto de Nova York e a cerca de cinco quilômetros de pontos turísticos como a Quinta Avenida e o Central Park.
O prédio ocupa a área onde funcionavam antigos armazéns usados para o depósito e a distribuição de mercadorias transportadas por navios que atracavam no terminal marítimo. Posteriormente, o MDC foi inaugurado com o objetivo de diminuir a superlotação do sistema carcerário da cidade estadunidense.
Embora tenha sido projetado para abrigar presos provisórios, onde homens e mulheres aguardam julgamento nos tribunais federais de Manhattan e do Brooklyn, o centro também mantém detentos já condenados a penas de curta duração, segundo o Departamento Federal de Prisões dos Estados Unidos (BOP, na sigla em inglês).
A estrutura do presídio é cercada por barricadas de aço e equipada com câmeras de vigilância de longo alcance. Nas últimas horas, a segurança externa do local foi reforçada.
Embora tenha formato vertical, o complexo conta com espaços para práticas esportivas ao ar livre, unidade de saúde, consultório odontológico e até uma biblioteca, segundo a rede pública americana PBS.
Não existem informações oficiais a respeito das condições internas das celas. Entretanto, relatos da mídia estadunidense e internacional indicam que os espaços são reduzidos e que os presos permanecem confinados na maior parte do dia.
Violência e precariedade
Projetado para abrigar até 1.000 presos, o MDC opera atualmente com 1.336 detentos, conforme dados do BOP. A maioria aguarda julgamento na Justiça Federal de Nova York — o caso de Maduro.
Apesar de contar com estrutura médica e áreas recreativas, a unidade é alvo de denúncias recorrentes de violência extrema, falta de funcionários e tráfico de drogas e outros produtos ilícitos.
Documentos judiciais mostraram que o MDC operava com apenas 55% do quadro de funcionários em 2024. No mesmo ano, ao menos três presos morreram esfaqueados dentro da unidade, além de dezenas de outros episódios de violência que terminaram com feridos.
O MDC também já esteve no centro de escândalos de corrupção. Em março do ano passado, o Departamento de Justiça dos EUA anunciou o indiciamento de 25 pessoas — entre presos e ex-agentes penitenciários — em 12 casos envolvendo violência e contrabando.
Presos famosos
Mesmo diante das más condições, o MDC do Brooklyn é frequentemente escolhido para custodiar presos influentes e famosos. A unidade já recebeu nomes como os rappers R. Kelly, condenado por crimes sexuais, e Sean “Diddy” Combs, condenado por tráfico sexual, entre outros delitos.
A situação da prisão foi usada pela defesa de Combs para tentar obter prisão domiciliar. Os advogados citaram assassinatos ocorridos na unidade e afirmaram que o MDC “não é um lugar adequado para manter qualquer pessoa detida”.
O ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández ficou preso no local por mais de três anos, até ser transferido para outra unidade em junho de 2025. O ex-secretário de Segurança Pública do México, Genaro García Luna, também passou um período detido no MDC.
Outro nome de peso que esteve na prisão foi o narcotraficante mexicano Joaquín “El Chapo” Guzmán. A lista inclui ainda figuras históricas do crime organizado, como John Gotti, além de membros da Al Qaeda presos após os atentados de 11 de setembro de 2001, entre outros.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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