
Preso em flagrante por perseguir, injuriar e fazer terror psicológico contra a esposa, o ex-assessor do Supremo Tribunal Federal (STF) Marcelo Pereira Pitella, 53 anos, recebeu R$ 37.440,09 no contracheque de novembro de 2025. Então assessor do gabinete de Nunes Marques, o servidor foi indiciado por stalking pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). A vítima é juíza federal.
À época dos fatos, Pitella estava lotado no gabinete do ministro Nunes Marques, ocupando cargo em comissão no STF. Apenas no mês anterior à prisão, a remuneração bruta do servidor ultrapassou os R$ 37 mil, somando vencimento básico, gratificações e benefícios previstos para a função.
A prisão ocorreu na madrugada de 20 de dezembro do ano passado, poucos dias antes do Natal. Policiais do Grupo Tático Operacional (GTOp) da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) detiveram o ex-assessor no Lago Sul, região nobre de Brasília, logo após ele deixar o hotel onde estava a mulher, no centro da capital.
Exoneração do cargo
Dois dias após a prisão, em 22 de dezembro, Marcelo Pereira Pitella foi exonerado do cargo em comissão no gabinete do ministro. Apesar disso, ele não deixou o quadro do STF em definitivo. O servidor permanece vinculado à Corte, após ter sido redistribuído do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), mantendo vínculo funcional com o Judiciário.
Segundo as investigações, a esposa de Pitella, uma juíza federal, havia se refugiado em um hotel de Brasília para se afastar do então marido. Mesmo assim, ele conseguiu localizá-la após instalar clandestinamente um dispositivo de rastreamento GPS no carro da vítima.
A magistrada já possuía duas medidas protetivas de urgência, que proibiam a aproximação do ex-assessor. As ordens judiciais foram descumpridas, o que levou a vítima a acionar a polícia em estado de choque, temendo novas agressões.
Tornozeleira eletrônica
Após deixar o hotel, Marcelo seguiu em direção ao Lago Sul, onde foi preso em flagrante. Ele permaneceu cerca de uma hora na delegacia, prestando esclarecimentos. Ainda na madrugada, passou por audiência de custódia, quando foi determinado o monitoramento eletrônico.
De acordo com apuração da coluna, a tornozeleira eletrônica chegou a ficar ativa, mas a Justiça posteriormente determinou a retirada.
O que diz a defesa de Marcelo Pitella:
A defesa de Marcelo Pitella, por meio do advogado Pedro Pereira de Sousa Junior, enviou nota à redação explicando o ocorrido. Leia abaixo:
“A prisão do acusado, mormente em flagrante delito, revela-se manifestamente ilegal, porquanto ignorava a existência de quaisquer medidas protetivas, inexistindo prova cabal de prévia citação, intimação pessoal ou outro ato de comunicação oficial acerca de restrição alguma imposta em seu desfavor.
Não se consumou qualquer conduta tipificada como antijurídica contra a excônjuge, haja vista que, à época dos fatos narrados, o vínculo conjugal permanecia íntegro, não havendo separação fática ou jurídica.
Cogitar que o acusado perpetraria agressão física, psíquica ou moral contra sua legítima esposa configura puerilidade manifesta, notadamente ante o fato de se tratar de eminente magistrada, e ambos serem doutos e profundos conhecedores do ordenamento jurídico pátrio.
Repousando absoluta confiança na Justiça, em seus operadores do direito, nas autoridades constituídas e na independência harmônica das instâncias judiciais e dos Poderes da República, a defesa técnica do acusado assevera que a demonstração cabal de sua inocência emergirá ao longo da instrução probatória processual“.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis


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