
Santa Elena de Uairén (Venezuela) – A poucos quilômetros da fronteira com o Brasil, moradores de Santa Elena de Uairén, na Venezuela, relatam uma escalada de tensão nos últimos dias, com aumento do policiamento, abordagens consideradas fora do padrão e um clima generalizado de medo. O Metrópoles atravessou a fronteira e ouviu relatos de censura, vigilância e temor de um possível toque de recolher.
Logo na entrada do município, é possível observar rotas clandestinas. O ponto é conhecido por moradores como o local onde grupos armados e milícias cobram propinas para permitir a passagem de pessoas sem documentação regular ou de mercadorias que precisam de nota fiscal.
Chama atenção, também, um grande outdoor com a frase “Maduro es Pueblo” (Maduro é o povo, em português). Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que a prefeitura de Santa Elena é pró-Maduro.
Medo de falar sobre política
O centro comercial de Santa Elena fica a 16 quilômetros do posto de controle brasileiro. Tanto comerciantes quanto clientes, ao serem questionados sobre política ou sobre a prisão de Nicolás Maduro, respondem: “Está tudo bem”. Eles repetem a afirmação quase sempre, encerrando a conversa.
Em frente a um mercado da cidade, uma senhora se limitou a dizer: “Não falo [sobre política e polícia]”, antes de se afastar. Na praça Simón Bolívar, conversas entre amigos são interrompidas assim que alguém se aproxima. Comerciantes que aceitam comentar a situação do país relatam sensação constante de vigilância:
“Não sabemos em quem confiar”, disse uma mulher que pediu anonimato, explicando que há medo de delação tanto para o governo quanto para milícias armadas.
Tensão entre jornalistas
A tensão atinge também jornalistas. Com o aumento do fluxo de profissionais de imprensa na região, guardas da Força Bolivariana informaram, no fim da tarde dessa terça-feira (6/1), que os jornalistas que entrassem na cidade poderiam ser detidos.
Enquanto a reportagem conversava com um mototaxista em frente a uma distribuidora, dois policiais passavam pela calçada. Segundo o trabalhador, o patrulhamento militar foi intensificado com o objetivo de “coibir e intimidar” a população.
A circulação nas ruas segue aparentemente regular, mas há sinais de apreensão. “As pessoas estão preferindo ficar em casa. Já compraram muitas coisas e estão em casa”, contou o mototaxista, depois de informar que antes ganhava, por dia, cerca de R$ 160 e, até essa terça, no máximo R$ 60.
Moradores relataram, ainda, a compra e o armazenamento de alimentos após a prisão de Maduro, diante do temor de um possível toque de recolher. “É para garantir”, disse uma senhora ao sair de um atacadão.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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