
O dólar operava em queda, nesta sexta-feira (9/1), em uma última sessão da semana movimentada no mercado financeiro, com os investidores atentos a dados econômicos no Brasil e nos Estados Unidos.
No cenário doméstico, o principal destaque do dia é a divulgação dos dados oficiais de inflação pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes ao mês de dezembro e ao consolidado do ano de 2025.
Nos EUA, após uma série de dados divulgados nos últimos dias sobre o mercado de trabalho, as atenções se voltam para o chamado “payroll” – indicador econômico mensal que mostra a evolução do emprego no país fora do setor agrícola.
Outro fato relevante para os mercados, nesta sexta, é a aprovação do acordo entre Mercosul e União Europeia (UE), após uma longa espera de mais de 25 anos, por parte da maioria dos embaixadores dos estados-membros do bloco europeu. Para que o acordo entre em vigor, no entanto, ainda falta a chancela do Parlamento Europeu.
Dólar
Ibovespa
Inflação abaixo do teto da meta
Os preços de bens e serviços do país ficaram mais caros em 0,33% em dezembro, após acelerarem 0,18% em novembro, avanço de 0,15 ponto percentual, segundo os dados divulgados pelo IBGE.
Esse resultado é o menor para um mês de dezembro desde 2018, quando foi registrado 0,15%.
Altas no mês, além de transportes, também foram registradas nos grupos artigos para residência (0,64%) e saúde e cuidados pessoais (0,52), por exemplo.
No mês, o único grupo com resultado negativo foi o de habitação, com variação de 0,33%.
Segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação no Brasil para o ano passado era de 3%. Como há um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ela seria cumprida se ficasse entre 1,5% e 4,5%. Ou seja, a inflação brasileira continua abaixo do teto da meta.
“Payroll” nos EUA
Ainda nesta sexta-feira, o grande foco do mercado financeiro, no Brasil e no mundo, é o dado oficial de inflação nos EUA – o chamado “payroll”.
O relatório, divulgado pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), é considerado determinante para as avaliações sobre o desempenho da economia norte-americana.
Também será conhecida a taxa de desemprego na maior economia do mundo em dezembro do ano passado. Segundo as projeções do mercado, o índice deve ficar em 4,5%, ante 4,6% do mês anterior.
A força do mercado de trabalho nos EUA é um dos componentes considerados pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) para definir a taxa de juros e esfriar a demanda na economia a fim de combater a inflação.
Analistas temem que uma possível aceleração do mercado de trabalho nos EUA leve a um novo aperto da política monetária pelo Fed. Nesse sentido, dados mais fracos do “payroll” podem ser até considerados positivos, por sinalizarem maior espaço para a queda dos juros – embora também exista a preocupação em relação a uma retração excessiva da maior economia do mundo.
Na última reunião do Fed, em dezembro, o corte nos juros foi de 0,25 ponto percentual, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado. Agora, os juros estão no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano.
Foi a terceira redução consecutiva na taxa de juros pelo BC dos EUA. Na reunião anterior do Fed, em setembro, o corte também havia sido de 0,25 ponto percentual.
O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros, o primeiro de 2026, está marcado para os dias 27 e 28 de janeiro.
Acordo Mercosul-UE
A maioria dos países da UE aprovou, provisoriamente, acordo comercial com o Mercosul. Em contrapartida, a negociação entre a UE e quatro países latino-americanos é alvo de protestos de agricultores franceses e provoca rejeição unânime por parte da França.
Após 25 anos de tratativas, a maioria dos embaixadores dos 27 Estados-membros da UE aprovou grande parte do acordo. França, Irlanda, Polônia, Áustria e Hungria se opuseram ao texto, enquanto a Bélgica se absteve.
Após a aprovação, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar o acordo com os parceiros do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – na próxima semana. Para que o acordo entre em vigor, também será necessária a aprovação do Parlamento Europeu.
O acordo é considerado estratégico por ampliar a integração comercial entre duas grandes regiões econômicas e tem sido descrito como uma prioridade para reforçar o comércio global, a competitividade econômica e a estabilidade geoeconômica.
Ele prevê a redução de tarifas e barreiras comerciais em uma das maiores áreas de comércio do mundo, o que pode impulsionar exportações e investimentos entre os dois blocos. Para países do Mercosul, isso representa acesso ampliado ao mercado europeu. Já para a UE, uma diversificação das relações comerciais.
Apesar da expectativa de assinatura, o processo ainda enfrenta etapas importantes de implementação e salvaguardas que precisam ser finalizadas antes da oficialização.
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou, na quinta-feira (8/1), que decidiu votar contra o acordo. O governo francês é um dos principais opositores ao acordo.
Os agricultores franceses continuam sendo o principal foco de resistência. Eles argumentam que o tratado abriria espaço para concorrência desleal com produtos sul-americanos, produzidos sob regras ambientais e sanitárias diferentes das exigidas na UE.
Trump e Venezuela
Ainda no front internacional, outro ponto de atenção para os mercados são os desdobramentos da situação na Venezuela após a deposição do ditador Nicolás Maduro pelos EUA, no último fim de semana.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou, nesta sexta-feira, que a libertação de presos políticos pelo governo interino da Venezuela é um “sinal de paz”.
Trump também exaltou o trabalho conjunto entre os EUA e a Venezuela, principalmente em relação “à reconstrução, em uma forma muito maior, melhor e mais moderna, da infraestrutura de petróleo e gás” do país. O líder norte-americano afirmou ainda que essa cooperação com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, fez com que ele cancelasse a segunda onda de ataques que faria contra o país.
“Devido a essa cooperação, cancelei a segunda onda de ataques anteriormente prevista, que parece não ser necessária. No entanto, todos os navios permanecerão em seus postos por questões de segurança”, disse Trump.
O republicano anunciou que pelo menos US$ 100 bilhões serão investidos pelas grandes empresas petrolíferas e anunciou que se reunirá com elas na Casa Branca.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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