Empresário é suspeito de "sumir" com sacas de café de R$ 132 milhões

Reprodução/EPTV
Imagem de sacas de café - Metrópoles

O “desaparecimento” de 21 mil sacas de café que estavam armazenadas na Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (Cocapil) vem tirando o sono de pelo menos 30 produtores rurais, que acionaram a polícia e denunciaram o empresário Elvis Vilhena Faleiros, do município de Franca (SP), no interior paulista.

O “sumiço” do café está sendo investigado pelos policiais. Elvis é presidente da Cocapil, cuja sede está localizada em Ibiraci (MG). De acordo com a polícia, o prejuízo pelo desaparecimento misterioso das sacas de café é estimado em pelo menos R$ 132 milhões – incluindo perdas dos produtores, dívidas bancárias e com fornecedores.

Além de produtores de Ibiraci, cafeicultores das cidades de Franca, Cristais Paulista (SP), Claraval (MG) e Cássia (MG) também fazem parte do grupo que quer descobrir o paradeiro do café desaparecido. A polícia estima que cerca de 180 pessoas podem ter sido vítimas.

Empresário teve prisão decretada e está foragido

Elvis Faleiros teve a prisão decretada pela Justiça e está foragido. Além dele, outros dois diretores da Cocapil tiveram os bens penhorados pelo Judiciário.

O delegado de Ibiraci, Estevam Ferreira, afirmou, em entrevista à TV Globo, que os relatos das vítimas são muito semelhantes. A expectativa das autoridades é a de que o inquérito policial seja concluído ainda nesta sexta-feira (9/1).

“Todas as pessoas afetadas têm a mesma história para contar. Eles dizem que depositaram a confiança na armazenagem do café na Cocapil e, da noite para o dia, esse café não estava mais lá quando eles precisaram”, relatou o delegado.

A suposta fraude começou a vir à tona em agosto do ano passado, quando um grupo de produtores procurou a Cocapil para retirar algumas sacas – mas não encontrou o café armazenado no local.

“Esta é uma conduta de altíssima gravidade. Houve um desfalque econômico para a cidade. Não é uma coisa irrelevante, um furto pequeno. Então, o pedido (de prisão) é uma necessidade de resposta condizente com a agressão à ordem pública que foi gerada”, afirmou o delegado.

O que diz a defesa do empresário

À TV Globo, o advogado Márcio Cunha, que representa Faleiros, afirmou que o prejuízo detectado na cooperativa se deve a oscilações financeiras do mercado de café. Segundo o defensor, o presidente da Cocapil pretende ressarcir devidamente os produtores prejudicados.

“O objetivo é saldar com os produtores. Este é o objetivo maior. O senhor Elvis está buscando meios financeiros para arcar com todos os cafés depositados”, disse o advogado.

Segundo o delegado Estevem Ferreira, dois diretores da Cocapil foram ouvidos pela Polícia Civil e alegaram problemas financeiros na companhia.

“Eles relataram que a saúde financeira da cooperativa veio se agravando a partir de 2021, quando houve um incremento no preço do café. Isso causou um abalo nas finanças da empresa que foi se arrastando até esse ponto de o Elvis, que era o presidente, optar por se apropriar do café dos produtores para quitar essas dívidas. Esta é a alegação deles”, explicou o delegado.

O advogado do empresário confirmou a crise financeira na cooperativa e disse que os diretores esperavam recuperar a produção, o que acabou não acontecendo.

“Acreditava-se que a produção seria melhor, mas não ocorreu essa melhora. Houve uma grande falta de entrega de café para estoque na própria cooperativa, o que gerou ainda mais esse saldo. Nós tivemos não só geada a partir de 2020, mas uma seca muito grande a partir de 2021, que prejudicou ainda mais essas negociações”, explicou.

A defesa de Elvis Faleiros já apresentou um pedido de habeas corpus em favor do empresário, mas a solicitação ainda não foi analisada por causa do período de recesso do Judiciário.

Rombo supera o Orçamento da cidade

O montante de R$ 132 milhões – prejuízo estimado aos produtores – é superior às despesas do orçamento público de Ibiraci, que girou em torno de R$ 101,4 milhões em 2025, de acordo com dados do Tribunal de Contas do Estado de Minas (TCE-MG).

O rombo milionário equivale a quase 15% do Produto Interno Bruto (PIB) da cidade em 2023, que foi de R$ 895 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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