
“É devastador descobrir que ele foi morto de maneira tão cruel e saber que ele foi assassinado por alguém que deveria estar ajudando ele. A gente tá vivendo o luto duas vezes.”
A declaração é de Mariana Fernandes, irmã do carteiro Marcos Moreira (foto em destaque), de 33 anos, uma das vítimas de três técnicos de enfermagem acusados de aplicarem substância letal em pacientes internados em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF).
Em conversa com o Metrópoles, a mãe, a irmã e a viúva de Marcos detalharam como receberam a notícia sobre a morte do carteiro que tinha apenas 33 anos.
Marcos Moreira morava em Brazlândia e era carteiro. Ele deixou esposa e uma filha de apenas 5 anos que diariamente pergunta pelo pai.
“Ele era muito apegado com a filhinha dele. E ela não superou, pergunta todos os dias pelo pai. Ela não entende a morte porque minutos antes de ele ir pro hospital ele liga pra ela, fala com ela de chamada de vídeo perfeitamente bem”, explicou Mariana
Marcos morreu no dia 1° de dezembro, 14 dias após ser internado com suspeita de pancreatite. Ele deu entrada no hospital com fortes dores abdominais e na primeira noite no hospital teve a primeira parada cardíaca, foi intubado e desde então não acordou mais.
“Tá sendo devastador não ter mais a presença dele”
Segundo a mãe de Marcos, Maria Aparecida Fernandes, durante o período internado, o paciente apresentou evolução e a família acreditava na melhora. No dia 23 de novembro a família chegou a ser contatada, os médicos comunicaram que iniciariam o processo de redução nas medicações e diminuiriam a sedação para mínima.
A viúva de Marcos, Denilza Freire relata que acreditava na melhora do marido, embora soubesse que o quadro era complexo. Ela relata que o Marcos chegou apenas com dores e teve piora rapidamente. “Eles sempre falavam pra gente que o caso dele era muito grave e estavam fazendo o possível”, comentou Denilza.
Quase dois meses após a morte, a família foi chamada pela diretoria do hospital e informada sobre a investigação e a verdadeira causa da morte.
Marcos será lembrado pela família, amigos e comunidade pela gentileza e carisma. Esforçado, ele passou em concurso público aos 21 anos e marcou quem o conheceu.
“Até no serviço dele, nas entregas que fazia, ele era destaque pela educação e pelo esforço que ele tinha”, detalhou Mariana, irmã de Marcos.
As outras vítimas dos técnicos de enfermagem presos são:
O caso foi levado à polícia pela própria unidade de saúde que observou um padrão de mortes atípico no hospital.
“Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes”, afirmou o Hospital Anchieta em nota.
Entenda o caso
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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