"Outros diretores estão envolvidos", diz promotor sobre caso Morumbis

Ricardo Moreira/Getty Images
Imagem colorida do estádio do São Paulo, Morumbi, que terá nome alterado após clube oficializar parceria com a empresa Mendelez- Metrópoles

O promotor de Justiça José Reinaldo Carneiro Guimarães afirmou que o esquema de venda ilegal de camarotes em shows no Morumbis, estádio do São Paulo Futebol Clube, envolvia mais diretores do clube do que o imaginado no início da investigação.

Guimarães, no entanto, não quis revelar os diretores envolvidos. Nesta quarta-feira (21/1), a Polícia Civil, juntamente com o Ministério Público, cumpriu quatro mandados de busca e apreensão contra três investigados no esquema: o diretor-adjunto de futebol de base do clube, Douglas Schwartzmann; Mara Casares, a ex-esposa do presidente afastado do São Paulo, Julio Casares, e diretora feminina, cultural e eventos do clube; e Rita de Cassia Adriana Prado, que seria intermediária no esquema investigado.

Ao Metrópoles, o promotor contou que as investigações já constataram que o esquema criminoso é “muito anterior” ao show da artista.

“É possível afirmar que, na verdade, o esquema de venda de camarote em shows é muito anterior ao caso Shakira, abrange muito mais diretores do que se imaginava na conversa inicial da investigação e nada do que foi arrecadado foi revertido para os cofres do clube”, contou Guimarães.

Nesse contexto, o promotor ainda disse que o Morumbis se transformou em uma “gigantesca máquina de caça-níquel”. A investigação é conduzida por uma força-tarefa, que também segue com outro inquérito policial investigando, simultaneamente, um suposto esquema de lavagem de dinheiro.

Cumprimento de mandados

Na casa de Mara Casares, a Polícia Civilencontrou R$ 20 mil em espécie. Além da quantia em dinheiro, as autoridades encontraram e apreenderam “farta documentação” e CPU de um computador.

Schwartzmann e Rita Adriana não foram localizados em suas residências. Segundo a polícia, o homem está viajando para o exterior, enquanto a mulher se mudou para outro endereço, conforme informado pelos filhos dela à investigação. Apesar disso, na casa onde estavam os filhos, as autoridades encontraram “anotações pertinentes”.

Em nota enviada ao Metrópoles, o São Paulo Futebol Clube afirmou ter sido vítima no caso e disse que vai contribuir com as autoridades na investigação.


Impeachment


Entenda o esquema

Julio Casares é investigado por suspeitas relacionadas à exploração clandestina de um camarote no estádio Morumbis, na zona oeste da capital paulista. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a irregularidade teria acontecido em um camarote ligado à presidência do clube, no estádio para o show da cantora colombiana Shakira, em fevereiro de 2025. Os crimes suspeitos levantados pelo MPSP são corrupção privada no esporte e coação no curso do processo.

Um áudio revelou o suposto esquema de comercialização irregular do camarote ligado à presidência do SPFC.

Segundo o material divulgado pelo Globo Esporte, o diretor-adjunto das categorias de base do clube, Douglas Schwartzmann, e a diretora feminina, cultural e de eventos (e ex-esposa de Julio Casares), Mara Casares, estariam envolvidos no esquema ilegal.

No áudio, o diretor das categorias de base diz que ele e outras pessoas se beneficiaram financeiramente com a prática.

O esquema consistiu no repasse do camarote por parte da diretoria do São Paulo Futebol Clube a Mara Casares para a realização de evento durante o show da Shakira. Posteriormente, a mulher chamou uma intermediária para vender os ingressos, com alguns tickets custando até R$ 2,1 mil. Essa prática já é considerada ilegal.

Porém, o caso estourou quando a intermediária entrou na Justiça alegando que foi vítima de um calote por parte de Mara e outro dirigente do São Paulo no pagamento de um pacote de ingressos. Neste momento, o áudio revelado na imprensa mostra os dois pressionando a intermediária a retirar a ação judicial, confessando que se tratava de um esquema clandestino.

Após a publicação do caso, em dezembro de 2025, Douglas Schwartzmann e Mara Casares pediram afastamento dos cargos.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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