Acidente com Porsche fez Gato Preto ser investigado por lavar dinheiro

Reprodução/Redes sociais.
Gato Preto

Samuel Sant’Anna da Costa, conhecido como Gato Preto, entrou na mira de uma investigação da Polícia Civil por suposta lavagem de dinheiro após se envolver em um acidente com um Porsche em 20 de agosto do ano passado.

Na direção do veículo de luxo, ele colidiu contra um Hyundai HB20 em um cruzamento da Avenida Faria Lima, uma das vias mais movimentadas de São Paulo. O influenciador foi indiciado pelo caso na última segunda-feira (19/1) e é acusado de quatro crimes previstos no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Durante o inquérito que investiga a colisão, as autoridades identificaram indícios de ocultação patrimonial. A suspeita surgiu principalmente após a Polícia Civil verificar que o Porsche envolvido no acidente está registrado em nome de um terceiro, identificado como Jorge Manuel Andrade Afonso (veja mais abaixo).

Outro fator que chamou a atenção dos investigadores foi que, logo após o acidente, Gato Preto publicou vídeos nas redes sociais afirmando: “Bati minha Porsche, perdi R$ 1,5 milhão”.

Veículos de luxo em nome de terceiros

Mesmo que o Porsche 911 Carrera esteja no nome de Afonso, ele não é visto pela Polícia Civil como um “laranja”. A investigação apontou que o homem é, na verdade, proprietário legal e vendedor do veículo. No inquérito, ele é qualificado como diretor comercial de uma loja de veículos chamada AF4 Motos (Afonso Multimarcas), em Itapetininga, no interior paulista.

O empresário prestou depoimento espontaneamente à polícia. Ele declarou que, em dezembro de 2024, iniciou a venda de dois Porsches para um cliente chamado Thomas Milton de Toledo. O valor total era de aproximadamente R$ 1,74 milhão, pagos com uma Nissan Frontier e cheques pré-datados de um terceiro, identificado como André Luiz.

Jorge afirmou que preencheu os recibos de transferência em nome de Matheus Cesário de Abreu, a pedido de Thomas. O empresário destacou que não conhece Matheus pessoalmente, nunca o viu e que não sabe onde ele reside.

A polícia apurou que a situação financeira de Matheus, o beneficiado, não é compatível com a aquisição do veículo de luxo.

A venda não foi concluída. Como nenhum dos cheques foi compensado, Afonso não emitiu nota fiscal e continuou como proprietário do Porsche Carrera. Ele acrescentou que não conhece Gato Preto e que só soube que ele estava com o carro através das notícias sobre o acidente.

O inquérito identificou também que, um segundo automóvel de luxo utilizado por Gato Preto, do modelo Porsche Boxster, também está registrado em nome de terceiros. Para a polícia, o fato sugere um padrão de conduta criminosa, que inclui ocultação de bens.

Diante dos indícios, a Polícia Civil instaurou, no início de setembro do ano passado, um inquérito para investigar Gato Preto exclusivamente pelo crime de lavagem de dinheiro, o que inclui uma apuração com o envolvimento em jogos de azar (como o “tigrinho”).

O procedimento está em andamento no 15° Distrito Policial (DP), do Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo. Todos os envolvidos na venda do Porsche devem ser ouvidos pelos investigadores.


Colisão com Porsche


Vídeo mostra resultado do acidente

Um vídeo feito por uma testemunha mostra as dianteiras dos dois carros destruídas, principalmente a do casal de influenciadores. Também é possível ver os airbags acionados. Veja:

Indiciado por 4 crimes

No indiciamento da Polícia Civil, Gato Preto é acusado de quatro crimes previstos no CTB. São eles:

Em caso de condenação, as penas para os crimes previstos no CTB serão somadas, uma vez que ele cometeu todos os delitos simultaneamente (em concurso material). Se condenado, o influenciador pode pegar até sete anos de prisão, considerando a punição máxima para cada crime.

O segurança do influenciador, identificado como Felipe Junior da Silva Souza, também foi indiciado pela Polícia Civil. Ele é acusado de inovação artificiosa – isto é, alterar o estado do lugar ou das coisas com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito.

Indiciado sem ser ouvido

Gato Preto foi intimado diversas vezes para ser interrogado, mas o depoimento nunca ocorreu por conta das sucessivas desistências dos advogados que representavam o influenciador. Por isso, ele foi indiciado de forma indireta.

Mesmo sem ser ouvido, a autoridade policial considerou ter indícios suficientes para indiciar Gato Preto. A investigação contou com imagens do sistema de monitoramento Smart Sampa, o depoimento de vítimas e o laudo toxicológico que confirmou a presença de álcool, MDA (droga sintética) e THC (composto presente na maconha) no organismo do investigado.

MPSP fala em tentativa homicídio com dolo eventual

Enquanto a Polícia Civil acusa Gato Preto de ter cometido crimes culposos do código de trânsito, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) entende que a conduta do influenciador configura homicídio tentado com dolo eventual.

A promotoria argumenta que, ao dirigir em alta velocidade, sob influência de álcool e drogas e desrespeitar o sinal vermelho, o investigado assumiu o risco de potencialmente matar alguém.

Devido a essa tese de crime doloso contra a vida, o MPSP pediu que o processo seja redistribuído a uma das Varas do Júri, o que foi determinado pela Justiça.

A promotoria ainda não apresentou uma denúncia formal. Caso Gato Preto seja acusado por homicídio tentado com dolo eventual, ele será julgado pelo Tribunal do Júri.

A pena neste caso é a do homicídio consumado simples, de seis a 20 anos de prisão, ou qualificado, de 12 a 30 anos, com redução de um a dois terços do período em reclusão.

O Metrópoles não localizou as defesas de Bia Miranda e Gato Preto. O espaço segue aberto para manifestação.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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