Sócios da Fictor acionam a Justiça e denunciam manobra em investimento

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Investidores que compraram cotas de participação na Fictor e não receberam o retorno do investimento acusam o grupo de ter vendido uma “aplicação financeira dissimulada” e promover “uma série de manobras protelatórias” para não pagar os valores aportados.

Duas empresas do Grupo Fictor entraram com pedido de recuperação judicial (RJ) na Justiça paulista no último domingo (1º/2). Na solicitação, os advogados da empresa atrelaram o pleito a um bloqueio cautelar de R$ 150 milhões e ao pedido de novos ressarcimentos. Eles apresentaram uma lista de credores que somam quase R$ 4,2 bilhões em dívidas.

Por outro lado, dezenas de investidores buscam individualmente o ressarcimento na Justiça. O Metrópoles analisou três dessas ações que somam mais de R$ 1 bilhão em ativos da Fictor. Na noite da segunda-feira (2/2), uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) suspendeu ações de bloqueios de bens contra o grupo financeiro por 30 dias.

Os investimentos contestados na Justiça foram feitos por meio de uma Sociedade em Contas de Participação (SCP), que tornam o investidor um sócio do grupo. No entanto, as pessoas que se sentiram lesadas e procuraram a Justiça alegam que nunca foram sócias de fato e que foram ludibriadas em uma estratégia da Fictor para captar recursos. A maior parte desses sócios recebeu um e-mail com a rescisão unilateral da sociedade.

Em comunicado, o grupo disse que pretende pagar aos credores “sem nenhum deságio”.

“No pedido de recuperação judicial, foi solicitado tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por um período inicial de 180 dias, reduzindo o risco de corridas individuais que pressionem ainda mais a liquidez e prejudiquem uma solução coletiva e equânime”, diz o grupo Fictor, em nota.

Consumidor lesado

“A comercialização por parte do grupo Fictor é como se você estivesse comprando um contrato de investimento com retorno garantido”, disse Maia ao Metrópoles. Ele pediu o aporte de volta assim que soube, pela imprena, que a Fictor pretendia comprar o Banco Master em meio a investigações. O prazo para receber o recurso de volta venceu em 17 de janeiro, e Maia não recebeu ainda o dinheiro que investiu.

Sócias aposentadas

Os outros dois casos analisados foram de mulheres aposentadas. Uma delas, Wilma de Castro, é mãe de um vendedor da Fictor que investiu o dinheiro dele e da família. Ela protesta o recebimento na Justiça e critica a “aplicação financeira dissimulada” na sociedade.

Wilma recebe R$ 1,9 mil do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e aplicou R$ 120 mil na Fictor, o que representa “a economia de uma vida inteira de trabalho”, de acordo com o advogado Felipe Gousen da Silveira.

O Metrópoles ainda analisou o caso de Maria Silveira, que fez o aporte de R$ 290 mil na Fictor. A ação dela também é movida pelo mesmo advogado, que afirma que a aposentada foi ludibriada. Ele tem casos contra a Fictor em São Paulo e no Distrito Federal.

“A grande maioria me disse o seguinte: ‘olha, meu assessor de investimento me procurou, era uma pessoa de confiança, ele me vendeu lebre por gato, tá? Ele me falou que era um investimento seguro, que era uma empresa segura, que era uma empresa que patrocinava o Palmeiras, mas, na verdade, a pessoa não estava ciente do que ela estava assinando, que era uma sociedade’”, afirmou Silveira.

“Blindagem de patrimônio”

Nos processos que move contra a Fictor, Silveira alega que há um suposto esquema para blindar o patrimônio. Segundo a denúncia, a Fictor Invest fazia a captação do recurso, enquanto os valores iam para outras empresas do grupo.

A Fictor Holding e a Fictor Invest entraram com um pedido de recuperação judicial na Justiça paulista no último domingo (1º/2). Os dois CNPJs compõem o grupo Fictor, mas, segundo os advogados das pessoas que se sentiram lesadas, outras empresas do grupo estão envolvidas numa “estrutura societária desenhada para blindar o patrimônio”.

A gestora Fictor Asset, por exemplo, ficou de fora do pedido de recuperação judicial. Silveira sustenta que ela é “peça-chave” no negócio. Segundo ele, a Invest capta o dinheiro por contratos de SCP, favorecida pelo fato de que não é regulada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), enquanto a Fictor Asset gere o dinheiro.

“Conforme fichas cadastrais da CVM, a Fictor Asset é a gestora oficial dos fundos do grupo (como o Fictor Agro e Fictor Energia), evidenciando que o dinheiro sai da mão do consumidor, passa pela Invest e é gerido pela Asset. Deixar a Asset de fora da lide seria permitir que o ‘cofre’ do grupo permaneça intocado”, denuncia Silveira.

Procurada pelo Metrópoles, a Fictor informou que os casos serão tratados na Justiça dentro do processo de recuperação judicial e que, assim que o juiz se pronunciar sobre o pedido, um plano de recuperação será apresentado.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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