Policiais civis que abandonaram criança em abordagem viram réus no DF

Kebec Nogueira/Metrópoles e Material cedido ao Metrópoles
policiais-caso-truculencia

A Justiça do Distrito Federal aceitou a denúncia contra os policiais civis Gustavo Gonçalves Suppa (de camiseta branca na foto em destaque) e Victor Baracho Alves (de camiseta preta). A decisão da 8ª Vara Criminal de Brasília ocorreu meses após a ampla repercussão de vídeos gravados em julho de 2025, que mostram os agentes agredindo um publicitário e abandonando o filho dele, de apenas 5 anos, no comércio da quadra 112 Norte.

Vídeo:

O documento foi assinado pelo juiz de direito Osvaldo Tovani no dia 18 de dezembro de 2025. O magistrado considerou que os requisitos legais para a abertura da ação penal foram preenchidos e que há “justa causa” para o prosseguimento do processo criminal. 

Ao fundamentar o recebimento da denúncia, o magistrado destacou a presença de elementos informativos robustos nos autos. Entre as provas citadas estão um laudo pericial, o relato da vítima e de testemunhas, além de vídeos que registraram a suposta ação delituosa.

“Vale consignar que, segundo a jurisprudência, a propositura da ação penal exige tão somente a presença de indícios mínimos e suficientes de materialidade e autoria, eis que a certeza será comprovada ou afastada durante a instrução, prevalecendo, nesta fase, o princípio ‘in dubio pro societate’”, ressaltou Tovani.

A decisão também esclareceu a situação do publicitário agredido pelos policias, Diego Torres Machado de Campos. O juiz mencionou que as condutas atribuídas a ele foram objeto de um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) que tramitou na 1ª Vara Criminal de Brasília e já se encontra arquivado.

Relembre o caso

Os agentes lotados na Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) foram flagrados por populares agredindo Diego na 112 Norte, após um acidente de trânsito sem gravidade. . Os policiais levaram o publicitário e deixaram a criança com estranhos na rua.

Nos vídeos, um dos agentes envolvidos dá socos em Diego, que está de costas, rendido e sem oferecer qualquer resistência.

A ação policial teria ocorrido porque o publicitário atingiu, sem maiores danos, uma viatura descaracterizada da DCA. Os dois servidores à paisana desceram enfurecidos e começaram a protagonizar cenas de violência em público.

No vídeo, é possível ver o policial dando socos no punho de Diego. Momentos depois, o filho da vítima aparece dentro do carro e vê o pai sendo algemado. A criança começa a chorar e é ignorada pelos agentes.

Diego foi imobilizado, como mostram imagens gravadas por testemunhas. Depois de alguns minutos, mais viaturas chegaram. O publicitário foi liberado da delegacia horas depois do ocorrido.

Um dia após ocorrido, a Polícia Civil do DF (PCDF) divulgou um nota informando que, após tomar conhecimento do caso, “foram adotadas de forma imediata todas as providências legais e administrativas cabíveis”.

“A Corregedoria-Geral da instituição instaurou inquérito policial e procedimento administrativo disciplinar para apurar, de forma rigorosa, os fatos sob os aspectos criminal e funcional. Os policiais envolvidos foram afastados das atividades operacionais e realocados em funções administrativas”, declarou a corporação à época do ocorrido.

Procurada novamente pela reportagem nessa segunda-feira (2/2), a corporação disse que não comenda decisões judiciais. “Foi instaurado procedimento na Corregedoria-Geral da PCDF que corre sob sigilo”, pontuou.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *