
O presidiário Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de reclusão por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta da democracia e outros três crimes, foi o sujeito oculto dos principais discursos que marcaram ontem a retomada dos trabalhos no Supremo Tribunal Federal depois do recesso do fim de ano.
Lula disse que “a condenação dos golpistas deixou uma mensagem clara: os responsáveis por qualquer futura tentativa de ruptura democrática serão punidos outra vez com o rigor da lei”. Edson Fachin, presidente do tribunal, disse que “o Brasil tem lições de democracia a oferecer porque respeitou a Constituição”.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, acrescentou que o Supremo teve “papel decisivo ao refrear pulsões iliberais e insurgências antidemocráticas”. E aproveitou para criticar a “gestão caótica” da pandemia do Coronavírus pelo governo passado que custou a vida de mais de 700 mil pessoas.
Embora convidados, os líderes da oposição não compareceram à solenidade. Além de Lula, estiveram presentes o vice-presidente Geraldo Alckmin e cerca de dez ministros de Estado. A dobradinha entre governo federal e Supremo segue firme, enquanto a oposição tenta não se esfacelar de todo a oito meses das próximas eleições.
O PP do senador Ciro Nogueira e o União Brasil de Antônio Rueda, os maiores partidos do Centrão, parecem decididos a não lançar candidato a presidente e a concentrar seus esforços na eleição de bancadas robustas no Congresso. O PSD de Gilberto Kassab terá candidato a presidente para continuar crescendo em toda parte.
O jogo que parecia jogado (Lula x Flávio Bolsonaro) foi embaralhado por Kassab ao juntar sob o seu comando três governadores aspirantes à vaga de Lula: Ratinho Júnior (Paraná), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ronaldo Caiado (Goiás). Zema, governador de Minas Gerais, insiste em ser candidato.
Há no mercado teorias para todos os gostos. A direita não bolsonarista seria capaz de conquistar a vaga reservada a Flávio no segundo turno, e se tal acontecesse, ela venceria Lula. Outra teoria: quantos mais candidatos da direita disputar o primeiro turno, mais votos ela reunirá para derrotar Lula depois.
Kassab já desejou boa sorte a Flávio, o que significa: não o apoiará num eventual segundo turno, liberando os quadros do seu partido para que marchem com quem preferir. Ratinho Júnior será o candidato do PSD a presidente. Flávio sonha em atrair Zema para ser seu vice. E Lula admira Kassab, mas torce por Flávio.
Vida que segue. Ou melhor: jogo que segue.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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