
O senador e presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que pretende esclarecer o envolvimento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, nos desvios de benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. O colegiado espera ouvir o banqueiro nesta quinta-feira (5/1).
Em entrevista ao Metrópoles nesta terça-feira (3/1), Carlos Viana afirmou que a comissão tem o objetivo de extrair de Vorcaro “como ele conseguiu, de quem comprou e quem foi que transitou e fez todo o acordo do Banco Master com o INSS“. “Foi pelo trâmite normal ou recebeu alguma influência política?”, indagou Viana.
“Nós queremos entender se foi um processo legal ou republicano, vamos dizer assim, ou também foi um processo em que políticos se envolveram para poder resolver [para Vorcaro]. São perguntas que eu tenho certeza que ele tem capacidade de responder, ainda que ele diga que operacionalmente não era ele quem tomava conta, mas todos os contatos de relacionamento do banco ele é quem fazia pessoalmente”, afirma.
Após enviar um ofício a Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo que Vorcaro seja “obrigado” a comparecer à CPMI do INSS, o senador revelou que vai se reunir para discutir o tema com o magistrado na tarde desta terça. A intenção, afirmou em entrevista ao programa Acorda, Metrópoles, é evitar que o banqueiro não compareça ao colegiado.
Vorcaro cumpre medidas cautelares impostas pelo STF. O banqueiro cumpre prisão domiciliar, após uma decisão de Toffoli. Além da prisão, o ministro também estabeleceu que Vorcaro use tornozeleira eletrônica.
Vorcaro e o INSS
O Banco Master entrou no radar do colegiado após indícios de irregularidades nos créditos consignados ofertados pela instituição a previdenciários do INSS. Além do Master, outras instituições são investigadas pelos descontos indevidos.
“O Daniel Vorcaro, ao meu ver, é um dos principais exemplos de como essa relação do INSS com os descontos de aposentados se tornou muito vulnerável e até promíscua. Porque a gente vê as associações, os sindicatos e vemos os bancos fazendo os descontos de uma maneira compulsória, absurda, sem comprovar a origem dos contratos”, afirmou Viana.
CPMI do INSS
O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.
As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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