Ambulantes fazem fila à espera de show de Ivete no Carnaval de SP

William Cardoso/Metrópoles
Imagem mostra pessoas próximas a barraca - Metrópoles

Vendedores ambulantes que se cadastraram para trabalhar no Carnaval de São Paulo estão desde o dia 26 de janeiro, em fila, ao lado da Avenida Pedro Álvares Cabral, no Ibirapuera, na zona sul da cidade. Eles não querem perder a chance de entrar com seus carrinhos no show de Ivete Sangalo, que acontece no sábado (7/2).

O temor dos ambulantes é que a prefeitura limite o número de vendedores no local, daí a preferência para quem chegou primeiro. Por isso, a fila formada na Praça Eisenhower, nas proximidades da Rua Abílio Soares. Outro motivo é que quem entrar primeiro poderá escolher o lugar de preferência em meio ao bloco, podendo faturar mais durante o evento.

Na tarde desta terça, aqueles que estavam na fila representavam 16 grupos de até 50 ambulantes cada. “Para não ficar pesado para todo mundo, a gente vem e reveza por períodos, com pessoal da manhã, da tarde e quem vira a madrugada para segurar o lugar na fila”, diz Alyne Perez Marioto, 40 anos.

Alyne vende cabelos humanos durante o ano, mas se torna ambulante no Carnaval. Ela conta que tem circulado entre os vendedores a informação de que serão permitidos apenas 1.000 carrinhos durante o show de Ivete, o que seria muito pouco, diante da demanda do público. Para ela, o ideal seria a entrada de até 2.000. Por esse motivo, muita gente se antecipou para não perder o lugar.

A vida na Praça Eisenhower não tem sido fácil desde o dia 26 à tarde, quando ela chegou para representar seu grupo. Em meio ao verão paulistano e seus temporais de fim de tarde, o pessoal tem improvisado para não se molhar. “Colocamos uma lona para nos proteger. No primeiro dia de chuva, estávamos com os guarda-sóis que vêm com o kit, mas não suportaram, respingou dentro”, diz Alyne.

Marmita, refrigerante e água

Joselito, o Gordinho, de 33 anos, alterna a vida de ambulante com a de motoboy ao longo do ano. Nesta terça, enquanto guardava lugar, “batia” uma marmita com muito arroz, feijão, batata e carne de panela ao lado da lona. Foi uma cortesia de outros integrantes do grupo do qual faz parte, com 30 pessoas. “Tem gente que não pode vir e manda uma marmita, um refrigerante”, afirma.

Gordinho também refuta as acusações de quem tem gente na fila vendendo lugar e diz que esse tipo de acusação parte de quem não conseguiu se encaixar em algum grupo. “Ninguém vende ponto. É uma ajuda mútua. Tem pessoas que trabalham no dia a dia e que não podem largar seu emprego para vir para cá [na fila]. Quando chega um certo momento, não conseguiriam mais vir, porque a fila estaria quilométrica. Todo mundo se reveza, se ajuda, para todos poderem trabalhar”, afirma.

A fila é informal, sem reconhecimento oficial por parte da prefeitura. Até por isso, a reportagem apurou que pessoas estranhas ao grupo que está sob a lona teriam passado pela praça fazendo ameaças, dizendo que iriam tomar conta do espaço antes do show para ter a primazia de avançar sobre o local onde Ivete cantará seus sucessos.

Seria o indício de uma “treta” em potencial, que poderia ser evitada, caso houvesse a distribuição de senhas para quem pretende trabalhar como ambulante no show de Ivete.

A expectativa de parte do grupo, entretanto, é que tudo se resolva da melhor forma e que, na sexta-feira à noite, véspera do show da cantora baiana, possa acontecer até um grande churrasco de confraternização entre quem vai trabalhar no dia seguinte.

Os vendedores que estão na praça próxima ao Ibirapuera e seus respectivos grupos fazem parte de um contingente de cerca de 15 mil pessoas que se cadastraram por meio de uma gigante das bebidas para vender produtos durante o carnaval paulistano.

Os ambulantes são obrigados a comprar e a vender somente produtos dessa única marca. Recebem isopor, guarda-sol, credencial e colete, mas são responsáveis, por exemplo, por gelo e carrinho.

O que diz a Prefeitura de São Paulo

Questionada sobre a situação nas proximidades do Ibirapuera, a Prefeitura de São Paulo afirmou que os ambulantes cadastrados, assim como ocorreu em anos anteriores, poderão entrar nos circuitos dos blocos apenas no dia dos desfiles.

“Agentes municipais e de segurança estarão presentes na entrada dos circuitos para garantir o máximo de segurança dos foliões, dos artistas e dos próprios ambulantes”, disse, em nota.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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