Cão Orelha: polícia analisou mil horas de filmagens para chegar a autor do crime

NSC Total/Reprodução
Cão Orelha

A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) analisou mais de mil horas de filmagens para identificar o autor da agressão que levou à morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis. As imagens foram captadas por 14 equipamentos instalados na região e fizeram parte do conjunto de provas reunidas ao longo da investigação, concluída nesta terça-feira (3/2).

Além da análise das gravações, foram ouvidas 24 testemunhas e investigados oito adolescentes suspeitos de envolvimento no caso. A polícia também utilizou um software francês, obtido pela corporação, que permitiu analisar a localização do responsável no momento do ataque fatal ao animal.

O processo tramita em segredo de Justiça por envolver menores de idade, conforme informou o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). A PCSC pediu a internação de um dos adolescentes investigados e indiciou três adultos por coação a testemunha no curso do processo.

Ataque e morte do cão Orelha

No dia seguinte ao ataque, o animal foi resgatado por populares e encaminhado a uma clínica veterinária. Apesar do atendimento, ele não resistiu aos ferimentos e morreu pouco tempo depois.

Segundo a Polícia Civil, o desenrolar dos fatos começou às 5h25 da manhã, quando um dos adolescentes investigados saiu de um condomínio localizado na Praia Brava. Às 5h58, ele retornou ao local acompanhado de uma amiga.

Esse intervalo foi apontado como uma contradição no depoimento do jovem. Ele afirmou à polícia que permaneceu dentro do condomínio, na área da piscina, e disse não saber que havia imagens que o mostravam saindo do local. As gravações, somadas a depoimentos de testemunhas e outras provas, indicaram que ele esteve fora do condomínio no período.

Tentativa de obstrução

A investigação também apurou uma tentativa de obstrução. O adolescente viajou para fora do Brasil no mesmo dia em que a Polícia Civil identificou os suspeitos e permaneceu no exterior até 29 de janeiro. No retorno, ele foi interceptado ao desembarcar no aeroporto.

Um familiar tentou esconder um boné rosa e um moletom que estavam em posse do adolescente e que foram considerados peças relevantes para a apuração. O familiar alegou que o moletom havia sido comprado durante a viagem, versão que foi contradita pelo próprio adolescente, que admitiu já possuir a peça e tê-la utilizado no dia do crime.

Investigação e outros desdobramentos

As investigações foram conduzidas pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE) e pela Delegacia de Proteção Animal (DPA), seguindo os critérios previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O inquérito foi concluído após o depoimento do autor, prestado nesta semana.

No dia 26 de janeiro, dois adolescentes e um adulto foram alvos de mandados de busca e apreensão. Na mesma data, um advogado e dois empresários foram indiciados por suspeita de coação de testemunha. Já em 28 de janeiro, outros dois adolescentes tiveram os celulares apreendidos no Aeroporto Internacional de Florianópolis, após o cumprimento de novos mandados.

A Polícia Civil também concluiu as investigações sobre agressões contra outro cão, conhecido como Caramelo. Nesse caso, quatro adolescentes foram representados.

Quem era Orelha

Orelha era um cão comunitário cuidado por moradores e comerciantes da Praia Brava, onde vivia havia pelo menos dez anos. Conhecido na região, ele circulava pelo bairro, acompanhava pescarias, frequentava eventos e fazia parte da rotina local, sendo comum vê-lo em fotos com moradores e turistas.

O animal foi encontrado agonizando debaixo de um carro, com lesões na cabeça e no olho esquerdo, além de sinais de desidratação e ausência de reflexos. Apesar do atendimento veterinário, ele não resistiu.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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