
Não é por acaso que vendedores ambulantes têm formado fila, desde o dia 26 de janeiro, em uma praça nas proximidades do Parque Ibirapuera. Eles têm a expectativa de faturar, no sábado (7/2), mais de R$ 1.500 com a venda de bebidas durante o show de Ivete Sangalo no Carnaval de São Paulo.
Durante o ano todo, Alyne Perez Marioto, 40 anos, vende cabelos humanos para se fazer apliques. Mas, quando fevereiro se aproxima, ela se prepara para trabalhar como ambulante no Carnaval. Faz cadastro, pega colete, guarda-sol e isopor, dando início à saga de vender bebidas para os foliões durante os dias de festa.
A expectativa de Alyne neste ano é bem elevada, porque Ivete Sangalo deverá arrastar um multidão ao se apresentar pela primeira vez em um bloco de rua de São Paulo, na Avenida Pedro Álvares Cabral, ao lado do Ibirapuera.
“Não dá para falar o número exato [de cervejas vendidas], não dá para falar muito em valores que a pessoa comprou de mercadoria. Mas vamos dizer que, em um show de Ivete Sangalo, você faça de R$ 1.500 para cima”, afirma.
O valor estimado é líquido. Ambulantes são obrigados a comprar produtos de uma gigante das bebidas, que cobra R$ 4,25 por cada cerveja, por exemplo. A unidade será revendida por R$ 10 ao consumidor final. Para manter tudo “trincando” em meio ao calorão de fevereiro, ambulantes gastam, em média, R$ 70 por dia com gelo.
Em anos anteriores, ambulantes chegaram a calcular mal o potencial de venda de alguns blocos. Um vendedor disse à reportagem que se surpreendeu durante uma apresentação do BaianaSystem, quando levou pouca cerveja por não botar fé na capacidade de consumo do público. No fim, acabou vendo os foliões querendo levar até a água acumulada no isopor, resultado do gelo derretido, segundo relataram.
Quando o assunto é dinheiro, nem tudo é festa. A costureira Josileide Nunes da Silva, 60 anos, trabalha com ambulante no Carnaval e diz que muita gente acaba “caindo do cavalo” ao superestimar os ganhos durante a passagem dos blocos. “Alguns vêm e dizem que ganharam R$ 10 mil no primeiro dia, quando não ganharam nem R$ 1.000”, afirma. “Tem muito novato, pessoas sem experiência, que não sabem o que é isso aqui.”
“Aquilo preso”
Mas nem só da busca pelo dinheiro vive o carnaval de Josileide. Quando Ivete começar a cantar, a costureira vai querer mais que a grana dos foliões. Ela sonha em tecer, como fantasia, o seu sonho de diversão em meio à dureza a vida.
“Sou costureira o ano inteiro, trabalho em casa, tenho minhas máquinas, só que, quando chega a época do Carnaval, eu tô com aquilo preso dentro de mim, quero sair, extravasar, curtir. Não ganho muita coisa, mas o que ganho é o fato de aproveitar os dias de Carnaval”, afirma.
Segundo Josileide, o trabalho é sofrido, desorganizado, mas ela não abre mão de ser ambulante durante o Carnaval. “A gente vem, porque a gente gosta. É [unir] o útil ao agradável”, diz. “A gente extrapola. Vem e vê os artistas, que é uma oportunidade que a gente tem”, afirma.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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