
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem indicado nos bastidores que não abrigará o PL na vice de sua chapa para reeleição, esfriando os planos do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, que tem pressionado para que a legenda fique com a vaga.
O chefe do Palácio dos Bandeirantes tem preferência em manter seu atual vice, Felício Ramuth (PSD). A interlocutores, o governador argumenta que em “time que está ganhando não se mexe”, além de fazer elogios públicos a Ramuth.
Caso o PL consiga emplacar um nome, o presidente da Assembleia Nacional Legislativa (Alesp), André do Prado, seria o mais cotado.
“Nós temos outros grandes quadros também, e eu acho que essa decisão vai ficar mais para frente. Eu tenho um vice hoje que é excepcional, que é uma pessoa também superpreparada. Então a gente tem que ponderar isso direitinho, e lá na frente a gente vai tomar essa decisão em conjunto”, disse o governador durante agenda no Palácio dos Bandeirantes na última quarta-feira (4/2).
Tarcísio também tem reforçado a aliados que o PL já terá o seu apoio na corrida presidencial, com o senador Flávio Bolsonaro (PL). Além disso, o partido tende a ficar com uma das candidaturas ao Senado.
“Vamos tomar essa decisão em conjunto. Obviamente, o PL é um partido superimportante para nós. É óbvio que a gente tem que ver também que nós vamos estar apoiando o candidato à Presidência da República do PL. Isso tem um significado”, lembrou Tarcísio.
Já o PL usa como principal argumento, além de ser o partido que abriga a família Bolsonaro, o fato de ter a maior bancada da Alesp, o que sustentou a governabilidade de Tarcísio durante a gestão.
“O PL é o maior partido do Brasil e tem a maior bancada na Alesp. Sem o PL, o Tarcísio não governa. O partido já iria indicar (o vice) na primeira eleição de Tarcísio. Foi uma outra composição e assumimos a Alesp. Agora, acho difícil não ser o André”, disse reservadamente um deputado do PL.
Escolha pessoal
Aliados de Tarcísio entendem que, ao contrário da montagem da chapa em 2022, o governador dessa vez pode ter “carta branca” para uma escolha pessoal do seu vice, já que ganhou capital político para isso ao longo do primeiro mandato.
Diante disso, o entorno do chefe do Palácio dos Bandeirantes praticamente descarta também a escolha de Gilberto Kassab (PSD) para o posto, mesmo com o dirigente dando sinais claros de que gostaria de ser o vice-governador no próximo mandato.
A posição é cortejada pelo presidente nacional do PSD porque, em 2030, a tendência é de que Tarcísio deixe o governo para se candidatar à Presidência da República, deixando a cadeira de governador para o vice. Com a máquina na mão, Kassab acredita que pode ganhar a eleição para o governo paulista, segundo aliados.
Pode azedar
A relação entre Tarcísio e Kassab, que é secretário de Governo e Relações Institucionais, no entanto, nunca foi totalmente pacífica. A postura agressiva do presidente do PSD nos bastidores, filiando uma grande quantidade de prefeitos e disputando espaço na articulação política com o então secretário da Casa Civil, Artur Lima, homem de confiança do governador, incomodou Tarcísio e outros partidos da base ao longo do governo.
Além disso, o fato de Kassab apostar em uma candidatura própria do PSD à Presidência da República, e não apoiar Flávio Bolsonaro (PL) já no primeiro turno, gerou revolta em bolsonaristas, o que também dificulta politicamente o seu pleito de ser o vice de Tarcísio.
Nos bastidores, aliados e o próprio Tarcísio não descartam uma mudança de partido de Ramuth para viabilizar sua permanência como vice, caso a relação com o PSD azede de vez nos próximos meses.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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