Trabalhadores de TV bancada por sindicatos iniciam greve em São Paulo

Reprodução/Youtube
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Os funcionários da Televisão dos Trabalhadores (TVT) iniciam greve às 8h desta sexta-feira (6/2), na Avenida Paulista, em São Paulo, onde fica a sede da empresa. A emissora, que costuma cobrir paralisações do ponto de vista dos grevistas, contratará freelancers para manter a grade de programação no ar.

A televisão é financiada pelos sindicatos dos Bancáriosde São Paulo e dos Metalúrgicos do ABC, que já foi liderado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os grevistas da TVT pedem reajuste do Vale-Refeição (VR) para R$ 35 e o pagamento do benefício nas férias. Eles argumentam que não é possível se alimentar com o VR nos arredores da Paulista. A direção da emissora diz que conseguiu chegar a R$ 34 e não tem condições de pagar o VR nas férias.

O principal motivo da greve

O estopim para a greve, porém, não é diretamente ligado a questões financeiras. Os funcionários pediram estabilidade de quatro anos para um representante da empresa em causas trabalhistas. A medida garantiria que questões estruturais e de transparência da empresa fossem exigidas, sem o risco de demissão.

A empresa disse que já tem uma funcionária com estabilidade, porque é dirigente do sindicato dos jornalistas, e disse que não é possível ter mais um funcionário nessas condições.

“A gente ficou muito surpreso que eles falaram: ‘Não, já tem um representante sindical, não precisa de um representante da TV.’ Sendo que são coisas completamente diferentes e eles sabem porque é uma TV mantida por dois sindicatos e que tem pessoas na gestão que foram sindicalistas”, disse a repórter da emissora e representante sindical Girrana Rodrigues.

O presidente da TVT, Maurício Júnior, alegou que, em outros anos, os trabalhadores da emissora criaram um comitê, se organizaram junto ao sindicato, fizeram demandas à direção sem estabilidade e “nunca ninguém foi prejudicado por conta disso”.

“Nunca precisou de estabilidade para conversar com a gente. A solicitação de quatro anos de estabilidade, para mim, não cabe”, disse Júnior ao Metrópoles. “Para fechar essa negociação desse ano, não teria necessidade de dar estabilidade para uma pessoa, sendo que a gente está a R$ 1 [de Vale-Refeição] do que eles estão pedindo”, acrescentou.

A TVT tem 43 funcionários no regime CLT e 15 contratados como pessoas jurídicas. Os grevistas contestam a contratação de freelancers para manter a emissora no ar. “Tem dinheiro para freela, mas não para pagar o nosso VR?”, questiona Girrana.

Desvio de função

Os funcionários alegam que quatro funcionários, contratados como “analistas de rede social”, exercem outras funções, como de redator de notícias para o site da emissora e até produção de programas de televisão. O presidente da TVT nega que haja desvio de função.

Além do desvio de função, tem um problema de salarial e de carga horária, segundo os trabalhadores. Os analistas de redes sociais, dizem os grevistas, trabalham como repórteres, mas recebem pouco mais de R$ 2,3 mil – menos da metade do piso para rádio e TV na capital paulista — para jornadas de 8 horas diárias é de R$ 6,1 mil.

Girrana defende que os analistas trabalhem 5 horas por R$ 3,5 mil ou recebam R$ 6,1 mil para 8 horas de jornada.

Transparência

A representante sindical também disse que, sem a estabilidade, os trabalhadores não se sentem confortáveis para pedir mais transparência para o orçamento e o uso de emendas parlamentares pela TVT.

Segundo a direção da emissora, a operação é mantida exclusivamente por sindicatos e não pode fazer comerciais, nem receber financiamento público.

Até 2024, a TVT também recorria a emendas parlamentares para cobrir as despesas, mas abriu mão dos repasses de deputados. Como mostrou o Metrópoles, a emissora já recebeu R$ 5,5 milhões de petistas. Desde o ano passado, a empresa parou de pedir emendas “para evitar qualquer tipo de problema”, disse o presidente da emissora.

“A última emenda parlamentar que nós tivemos era de 2024, que foi executada em 2025, e está terminando de ser executada agora. Todas as emendas que a TVT pegou tinham um produto específico e que, inclusive, está no nosso site. O processo é claro e aberto”, afirmou Júnior.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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