Gêmeos ajudaram ex-chefe da Rioprevidência a ocultar provas, diz PF

Divulgação/Polícia Federal
Os irmãos gêmeos Rodrigo Schmitz e Rafael Schmitz

A Polícia Federal (PF) só teve certeza de que o ex-presidente da Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, tinha dois comparsas quando eles foram vistos na mesma imagem do circuito interno de um prédio no Rio de Janeiro. Os irmãos Rodrigo e Rafael Schmitz podem ser facilmente confundidos por serem gêmeos idênticos.

Deivis foi preso preventivamente quando voltava de férias nos Estados Unidos. Ele é acusado de tentar obstruir as investigações da Operação Barco de Papel, da PF, que investiga aportes de R$ 970 milhões da Rioprevidência em letras financeiras do Banco Master.

A obstrução das investigações, diz a PF, contava com a ajuda dos irmãos Schmitz. O Metrópoles apurou que Rodrigo é um amigo muito próximo de Deivis e tem acesso às chaves e senhas do ex-presidente da Rioprevidência.

Rodrigo fazia várias tarefas para o ex-chefe da Rioprevidência, atuando como uma espécie de secretário informal e, por vezes, contava com a ajuda do irmão.

Deivis e os irmãos Schmitz se conheceram há cerca de 15 anos em Santa Catarina, onde os gêmeos foram presos.

Apartamento no Rio usado pelos gêmeos

Os irmãos Schmitz foram vistos algumas vezes no prédio em que Deivis morava em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro.

No dia 23/1, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão no apartamento 201, onde vive a família de Deivis. Lá, o órgão soube de vizinhos que o ex-chefe da Rioprevidência também alugou o apartamento 101 no mesmo prédio.

Ele disse aos moradores do edifício que a outra unidade serviria como “área de recreação para seu filho”, mas na verdade era ocupada pelos irmãos Schmitz. Vizinhos relataram entradas e saídas dos gêmeos no imóvel.

Informada por moradores de que o apartamento 101 também era ocupado por Deivis ou pessoas ligados a ele, uma agente da PF foi à unidade para checar a informação. Os agentes tocaram a campainha e ninguém respondeu. No entanto, Rodrigo estava no local, segundo os policiais.

Imagens apagadas

A PF teve dificuldades de acessar os vídeos do circuito interno das câmeras do apartamento em Botafogo, onde Deivis mora.

No dia seguinte à busca e apreensão, os policiais voltaram ao prédio para coletar as imagens. Quando levaram o material à perícia, identificaram que gravações de apenas dois dias e de câmeras apontadas para a entrada do prédio foram registradas no HD externo dos policiais – os agentes já haviam recebido a informação de que ao menos 30 dias de imagens estavam armazenadas.

Diante do material incompleto, os agentes foram à empresa que presta serviço de vigilância e identificaram acessos atípicos ao sistema de segurança do prédio.  Além da empresa, outras duas pessoas tinham senhas de administrador: Deivis e um porteiro, cujo filho já foi contratado pela Rioprevidência. As senhas permitem que as imagens das câmeras sejam apagadas de forma remota.

PF desconfia de ocultação de provas

Parte das imagens foi recuperada pelos peritos da PF. Entre os registros, estão os irmãos Schmitz entrando e saindo do apartamento 101. A PF também achou indícios de que, além dos gêmeos, o imóvel era usado por outras pessoas ligadas a Deivis.

No dia 7/1,  Deivis chegou por volta das 8h no prédio em um Corolla, acompanhado do motorista e outros dois homens que não foram identificados. O ex-presidente do Rioprevidência foi para o apartamento 201 e os outros dois homens ficaram no primeiro andar.

Antes de chegar ao prédio, Deivis estava no aeroporto, segundo a PF. Ele desembarcou de um voo que teve origem no aeroporto de Navegantes, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Rodrigo estava no mesmo avião e as passagens foram compradas juntas.

Na visão dos investigadores, o que seria mais comprometedor – e o provável motivo por registros terem sido deletados – são vídeos que mostram malas e itens que foram levados de um apartamento para o outro. Por vezes, os objetos eram transferidos para fora do prédio. A suspeita é de que seja material sensível da investigação sobre a Rioprevidência.

Em depoimento à PF, Deivis teria negado que apagou as imagens e também teria dito que as malas e objetos estavam sendo levados para outro apartamento próximo, para onde estaria se mudando.

Antunes usava carro dos gêmeos

De acordo com a PF, Deivis usava um Porsche Macan, que estava até o dia 26/1 registrado em nome da empresa catarinense “Schmitz Producoes e Eventos“, de Rodrigo Schmitz.

Outro carro que era visto no prédio é uma BMW X6 Competition, também registrado como propriedade da empresa de Rodrigo. Os dois veículos foram vendidos a uma outra empresária do ramo de eventos de Santa Catarina.

Em 23/1, dia da busca e apreensão no prédio de Deivis, um Volkswagen Tiguan, registrado em nome da esposa do ex-chefe da Rioprevidência, estava estacionado na vaga do Porsche Macan. Durante a operação, o advogado de um dos alvos, que acompanhou a ação da PF, informou aos agentes que a chave do veículo estaria na portaria.

As imagens recuperadas pela perícia mostram Rodrigo saindo do apartamento 101, onde uma policial havia tocado a campainha e ninguém respondido, descendo pelo elevador e deixando uma sacola na portaria. A PF suspeita que a chave do carro estivesse dentro da sacola, deixada na área comum do condomínio, enquanto os agentes vistoriavam o apartamento de Deivis.

O ex-chefe da Rioprevidência foi preso na via Dutra, na manhã da última terça-feira (3/2), quando voltava de carro para o Rio de Janeiro, após desembarcar dos Estados Unidos em São Paulo. No fim da tarde, os irmãos Schmitz foram presos em Itajaí (SC).

A reportagem contatou a defesa de Deivis, que não quis se manifestar. Os advogados de Rodrigo e Rafael Schmitz não foram encontrados.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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