
Entre os que o cercam de perto, Lula será o último a celebrar seu favoritismo para se reeleger presidente em outubro. É ele que ensina aos mais entusiasmados: “Não se ganha eleição de véspera, só no último minuto. Até lá, tudo pode acontecer”.
Foi assim na eleição de 1989, a primeira pelo voto popular depois do fim da ditadura. Disputada por 21 candidatos, Lula classificou-se para enfrentar Fernando Collor no segundo turno ao derrotar Leonel Brizola pela diferença irrisória de 0,6% do total de votos.
No início de 1994, Lula liderava todas as pesquisas, mas perdeu a eleição no primeiro turno para Fernando Henrique Cardoso, o candidato do Plano Real que domou a inflação. Fernando Henrique se reelegeu em 1998 no primeiro turno, e Lula chorou.
Chegou a pensar em nunca mais candidatar-se a presidente. Mas se elegeu pela primeira vez em 2002, e pela segunda em 2006. Fez seu sucessor (Dilma Rousseff) em 2010, quando sua popularidade bateu na casa dos 80%. Ajudou-a a se reeleger em 2014.
Como candidato, agora não há mais Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta da democracia e outros crimes. Mas há o filho dele, Flávio, escolhido pelo pai para herdar seus votos.
Poderá haver um candidato do PSD de Gilberto Kassab, mas não é certo. O mais cotado, Ratinho Júnior, governador do Paraná, não se arriscará a ser sucedido pelo ex-juiz Sérgio Moro. Espera que a Justiça o remova do caminho, tornando-o inelegível.
Lula está empenhado em atrair o apoio do PSD, por mais que Kassab jure que isso não será possível. E em atrair o MDB, onde já conta com apoio expressivo. E em conseguir rachar o Centrão (PP e União Brasil), tarefa em estágio avançado a essa altura.
Não descansará enquanto não ver Flávio isolado.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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