Resignação do centrão (Por Leonardo Barreto)

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
oposição buscaram o apoio do Centrão

Comparado ao encerramento de 2025, o ano político começou diferente em Brasília. O clima de enfrentamento foi substituído por um ar de resignação no Centrão.

Tudo motivado pela combinação de três fatores: favoritismo de Lula para renovar seu mandato; frustração gerada pela candidatura de Flávio Bolsonaro e implosão dos movimentos do Centrão em torno de Tarcísio de Freitas; e renovação do pacto entre Davi Alcolumbre, Hugo Motta e o Palácio do Planalto para contenção da oposição.

O governo demonstra um nível de confiança que parece até incompatível com indicadores de aprovação popular pressionados e com o cenário sombrio para a esquerda no que se refere às eleições para o Senado.

O eleitorado do presidente tem se mostrado muito resiliente, fiel e em quantidade suficiente para garantir a recondução de Lula. A explicação para isso vem da expectativa de um efeito positivo da desoneração do IR sobre a classe média, reduto que ainda resiste a Lula, e a fragilidade das candidaturas presidenciais apresentadas pela oposição até agora.

Por último, Hugo Motta se aproximou de Lula – pensando nos seus interesses na Paraíba – e Davi Alcolumbre, que não pode aumentar o risco de exposição política dele próprio, do STF, de outros líderes e do governo nas CPIs, também buscou se ajeitar com o governo.

O grande teste desse novo estado de coisas deve ser a sabatina e aprovação do nome de Jorge Messias para o STF, ainda sem data marcada.

O clima parece tão favorável ao governo que seus membros começaram a acreditar que conseguirão manter o veto da dosimetria de pena para os envolvidos nos eventos de 08/01.

Um deputado resumiu o sentimento geral da seguinte forma: “Para o Congresso, com um cenário presidencial favorável a Lula, o melhor é cuidar das próprias bases e consolidar o controle do orçamento para o ano que vem.” A ordem do dia, com Flávio Bolsonaro liderando a direita, parece ser: no centro é melhor que cada um vá cuidar do seu.

 

Leonardo Barreto, doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília. 

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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