
O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu investigar o contrato entre uma empresa ligada ao influenciador digital Whindersson Nunes e o governo do estado do Piauí.
Como mostrou a coluna, um relatório do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) indicou possível superfaturamento de R$ 2,9 milhões em um contrato entre a TRON Robótica Educacional e a Secretaria de Educação do Estado. Os achados do TCE-PI foram publicados em novembro do ano passado.
A TRON foi contratada pela Secretaria de Educação do Piauí para fornecer materiais e treinamentos voltados ao ensino de robótica na rede pública estadual. Ao todo, o contrato, firmado em agosto de 2024, supera R$ 11 milhões.
A representação no TCU é relatada pelo ministro Aroldo Cedraz. Ao analisar o caso, Cedraz deu prazo de 15 dias para que a Secretaria de Educação do Piauí preste uma série de informações sobre a execução do contrato. Também fixou o mesmo prazo de 15 dias para que a TRON se manifeste.
Leia aqui a decisão do TCU, na íntegra.
Cedraz, porém, negou o pedido de liminar, formulado pelo autor da representação, para suspender a vigência do contrato.
TCE-PI vê indícios de superfaturamento
Como mostrou a coluna, o relatório do TCE-PI menciona indícios de direcionamento, superfaturamento e possível dano ao erário na contratação de uma empresa de robótica educacional ligada ao influenciador Whindersson Nunes pela Secretaria de Educação.
Segundo o relatório do TCE-PI, o superfaturamento no contrato pode chegar a R$ 2,9 milhões. Isso porque parte dos materiais contratados não teria sido entregue, de acordo com a auditoria.
“Verificou-se que foram realizados pagamentos no valor de R$ 2.915.550,00 referentes à entrega de 15.000 unidades de materiais e insumos pedagógicos destinados aos alunos”, diz um trecho.
“Entretanto, em inspeções (…) em Teresina, bem como em entrevistas aplicadas com gestores (…), a equipe de fiscalização foi informada de que não houve entrega de materiais físicos ou e-books aos alunos contemplados”, diz o texto.
“A ausência de evidências materiais de recebimento, aliada aos depoimentos das escolas e à divergência entre os itens enviados e aqueles descritos na proposta contratual, indica a possibilidade de pagamento por itens não entregues, caracterizando superfaturamento por não execução do objeto contratado”, diz o relatório.
Whindersson não é mencionado no relatório do TCE-PI, pois não consta no quadro societário da empresa registrado na Receita Federal.
No entanto, a própria TRON apresenta Whindersson Nunes como sócio em materiais de divulgação. Em dezembro de 2023, ao receber o prêmio Troféu Influência Digital 2023, Whindersson disse que “tinha” uma empresa no Piauí — a Tron.
Além disso, o próprio Whindersson já se referiu ao fundador da Tron, o físico Gildário Lima, como “sócio”, em uma publicação no LinkedIn. O mesmo termo também foi usado pelo governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), ao se referir a Whindersson em uma publicação sobre a parceria com a Tron.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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