
O senador por São Paulo Alexandre Giordano (MDB)foi condenado na Justiça por suposto favorecimento na contratação de uma empresa da sua família por uma associação de moradores quando estava à frente de um condomínio residencial no interior de São Paulo.
Como o Metrópoles revelou, Giordano se envolveu em uma briga com vizinhos que virou caso de polícia após relatos de ameaças, acusações de falsidade ideológica e suspeita de favorecimento ao filho dele em um contrato para abastecimento de água, em um condomínio de alto padrão em Morungaba (SP).
Loteado em 2006, o residencial é uma parte da Fazenda São Silvano e conta com 63 lotes, com metragens entre 1 mil e 3 mil m². Na área comum, há restaurante, vila hípica e chalés para visitantes.
Entre os proprietários dos lotes estão dirigentes de bancos, executivos de multinacionais, políticos, promotor de Justiça e até o ex-jogador Amoroso, que se destacou no São Paulo e atuou pela Seleção Brasileira.
O condomínio fica no mesmo local de um hotel de propriedade do senador, que fica em uma estrada para onde o político destinou emenda de R$ 3 milhões para o paisagismo da via, caso revelado pelo Metrópoles.
Tensão com vizinhos
Giordano era presidente da Associação dos Proprietários do Residencial Fazenda São Silvano, em uma gestão marcada por tensão com vizinhos sobre gastos no condomínio. Um dos pontos centrais é a contratação da empresa do filho para o serviço de caminhão-pipa por R$ 15 mil ao mês.
Segundo testemunha no processo, o contrato com a empresa Enermade, de Lucca Giordano, foi firmado 15 dias antes de Giordano deixar formalmente o cargo, com uma cláusula que previa que, se o serviço fosse rompido, o condomínio deveria pagar quatro meses em valores indenizatórios.
Os vizinhos contrataram uma auditoria em 2022, que está anexada aos processos na Justiça de 2023. Nenhuma conta da gestão foi aprovada. Entre os questionamentos, também estão a obra de um centro hípico e gastos administrativos –incluindo combustível.
Um dos questionamentos é sobre os desembolsos com um posto de gasolina, em que o senador já usou R$ 212 mil da verba parlamentar. Uma auditoria de 2022 diz que Giordano gastou R$ 56 mil naquele ano com o estabelecimento — em alguns dias, há compras de centenas de litros.
A frota abastecida seria um gol e uma moto, que faziam rondas de segurança no condomínio. O senador contraria a auditoria e diz que eram seis motos, além de vários equipamentos de jardinagem que são movidos a combustível.
Além disso, há uma guerra de versões sobre uma suposta renúncia de Giordano –o senador nega ter renunciado.
“Má gestão e favorecimento”
A juíza Mariane Cristina Maske de Faria Cabral, da comarca de Itatiba, deu razão à associação nas reclamações contra o senador, condenando Giordano e uma empresa administradora, a Roof Serviços, ao pagamento de R$ 75 mil a título de danos materiais como restituição aos valores pagos.
“Conforme demonstrado, a ação da Autora foi pautada em fatos provados (renúncia) e em indícios documentais sólidos de má gestão e favorecimento particular (contratação com o filho), que justificaram a intervenção judicial. A Autora agiu no exercício regular de seu direito de ação e em defesa dos interesses da coletividade, o que afasta a ilicitude da conduta”, afirma a decisão.
Além disso, os réus foram condenados a pagar R$ 20 mil por danos morais. “No caso, a conduta dos Réus de se recusar à transição de gestão, impedir o acesso a documentos essenciais e praticar atos de gestão controversos após a renúncia, maculou a imagem da associação perante seus associados e terceiros”, acrescenta a decisão.
A sentença também condenou o senador a entregar documentações da associação, sob multa diária de R$ 1 mil, e declarou válida a renúncia dele do cargo de presidente da entidade em 12 de agosto de 2023. Cabe recurso da decisão, que foi em primeira instância.
O que diz Giordano
O senador afirmou ao Metrópoles, em nota, que se trata de “litígio de natureza estritamente privada, envolvendo aspectos associativos, sem qualquer relação com a atividade parlamentar”.
O parlamentar afirmou que é uma decisão de primeira instância, já objeto de recurso, que se encontra sob análise da Justiça. “Por esse motivo, não há comentários adicionais no momento.”
Anteriormente, Giordano havia explicado a contratação do carro-pipa. “A empresa do meu filho fez [o serviço] por 15 mil porque eu pedi pra ele fazer um valor barato, porque o condomínio não tinha condições de pagar. Fui eu que fiz, fui eu que pedi pro meu filho”, disse o senador ao Metrópoles.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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