
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, voltou a falar, nesta quarta-feira (11/2), sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada pela autoridade monetária em novembro do ano passado.
Ao participar de uma conferência promovida pelo BTG Pactual, em São Paulo, Galípolo fez uma série de elogios ao trabalho em conjunto da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público (MP) nas investigações sobre as supostas irregularidades no Master. Ele também elogiou a atuação da imprensa independente.
“Desde o primeiro momento, percebemos que era um tema que extrapolava a supervisão bancária e demandava fazermos as comunicações que tivemos que fazer e envolver PF e o MP. O mercado financeiro fica com uma grande dívida com a PF, que tem feito um trabalho fantástico”, afirmou Galípolo.
Segundo o chefe da autoridade monetária, o episódio envolvendo o Banco Master foI um “evento específico”, que pode ocorrer não só no Brasil como em qualquer país do mundo.
“Também tivemos, no meio do ano, uma série de ataques, inicialmente identificados como ciberataques, que demandaram uma resposta rápida e ativa do BC. E, para isso, foi essencial contar com a parceria das principais instituições e do mercado, para que fizéssemos na dosagem correta”, explicou.
Galípolo defendeu o aprimoramento dos instrumentos de fiscalização por parte do BC e de outros órgãos competentes. “O que precisamos é estar aprimorando e melhorando para que não voltem a ocorrer os mesmos erros. Jogar a luz do sol é sempre o melhor desinfetante em um processo como esse”, disse, sob aplausos do público que acompanhava a palestra.
“Temos tido discussões permanentes sobre mudanças regulatórias. Já ocorreram mudanças sobre o que são ativos elegíveis para você ter como garantia o FGC (Fundo Garantidor de Créditos)”, prosseguiu Galípolo. “Está no nosso ‘pipeline’, mas é um trabalho contínuo e depende de um trabalho conjunto.”
O presidente do BC também aproveitou para agradecer ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que participou, na véspera, do mesmo evento do BTG Pactual e defendeu a atuação da autoridade monetária no caso Master.
“Preciso agradecer pelas palavras do ministro da Fazenda neste mesmo evento, mais uma vez dando apoio e sendo um parceiro de sempre”, afirmou Galípolo, que foi secretário-executivo da pasta e número 2 de Haddad antes de ser indicado para o BC.
A liquidação do Banco Master
O BC decretou, no dia 18 de novembro de 2025, a liquidação extrajudicial do Banco Master, cujo proprietário é Daniel Vorcaro. Ele chegou a ser preso pela PF durante a Operação Compliance Zero, que teve como alvo um esquema de emissão e negociação de títulos de crédito falsos envolvendo instituições financeiras do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
A liquidação extrajudicial é o regime de resolução que se destina a interromper o funcionamento de uma instituição e promover sua retirada, de forma organizada, do SFN. É adotada quando ocorrer situação de insolvência irrecuperável ou quando forem cometidas graves infrações às normas que regulam sua atividade, entre outras hipóteses legais. O BC nomeia um liquidante, que buscará a venda dos ativos existentes para viabilizar o pagamento, que for possível, aos credores.
Não há prazo determinado para o encerramento da liquidação. Ela termina por decisão do BC ou pela decretação da falência da instituição.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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