"Homônimo" de líder do PCC: vídeo mostra PM matando suspeito com 9 tiros. Veja

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Imagens de uma câmera de segurança obtidas pelo Metrópoles mostram o momento exato em que o advogado Carlos Alves Vieira é morto por policiais militares da Rota com nove tiros de fuzil e pistola, em 28 de novembro de 2025, em Itaquaquecetuba, na região metropolitana de São Paulo.

Na última semana, o homicídio foi questionado pelo Ministério Público do estado (MPSP) após o governo divulgar a informação de que o suspeito, conhecido como Ferrugem, seria uma importante liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC). Em um comunicado interno compartilhado por comandantes da PM, ele chegou a ser descrito como um “sintonia final”.

No entanto, segundo Bruno Grecco Cardoso, promotor do caso, a versão oficial está “em xeque” diante de informações de que ele era “um cidadão sem antecedentes criminais” e “sem qualquer vínculo com facções criminosas”.

Na gravação feita pela câmera de segurança, é possível ver os PMs, em três viaturas, perseguindo o carro do suspeito, um Toyota Corola prateado, até fazê-lo parar na rua Carmo da Mata. Os agentes, então, descem dos veículos em posição de combate para fazer a abordagem e, segundos depois, efetuam os disparos. Não é possível ver Vieira descendo do veículo. Segundo a versão da polícia, ele teria atirado contra os agentes, que revidaram.

No último dia 6 de fevereiro, a juíza Érica Pereira de Sousa, da 1ª Vara Criminal de Itaquaquecetuba, ameaçou expedir um mandado de busca e apreensão no batalhão da Rota para obter as imagens das câmeras corporais dos policiais militares envolvidos na ocorrência caso os arquivos não fossem apresentados em 24 horas.

Em nota publicada no perfil oficial no Instagram, a Rota disse que as imagens foram entregues em 8 de dezembro e que nunca recebeu um pedido formal da Justiça.

“Cidadão comum”

“Os autos revelam contornos de extrema gravidade. O que se iniciou como apuração de morte em intervenção policial transmuta-se, diante de novas informações, em investigação de possível execução sumária de um cidadão sem antecedentes criminais relevantes e sem qualquer vínculo com facções criminosas, conforme aponta a Ouvidoria da Polícia Militar”, disse o promotor Grecco Cardoso, da 6ª Promotoria de Justiça de Itaquaquecetuba, no último dia 5 de fevereiro.

Bruno Grecco Cardoso acrescentou, ainda, que “a narrativa dos agentes públicos, que outrora gozava de presunção de legitimidade, encontra-se hoje sob severo xeque. A existência de 9 ferimentos perfurocontundentes, inclusive em regiões dorsais, somada ao evidente embaraço na entrega das imagens das câmeras corporais (COPs), apontam para uma tentativa deliberada de obstar o esclarecimento dos fatos”.

“Sintonia final”

O relatório interno compartilhado em grupos de WhatsApp da Polícia Militar diz que “Ferrugem” teria crescido rapidamente no PCC e estaria envolvido, inclusive, com “rotas internacionais do tráfico” e com a distribuição de drogas e armas em larga escala.

Para sustentar a tese de que Vieira seria uma liderança da facção, foi mencionada uma investigação sobre tráfico de drogas que teve início em 2022. Vieira foi alvo, mas nada foi provado contra ele e o caso foi arquivado.

“Em que pese as diligências encetadas e o esforço policial, não foi possível apontar com segurança o envolvimento dos investigados na prática do delito de tráfico de drogas, tampouco que estavam agindo associados para a comercialização ilícita de entorpecentes”, diz a investigação.

Outro Ferrugem

O repórter Josmar Jozino, do UOL, publicou uma reportagem mostrando que o Ferrugem conhecido pelas autoridades carcerárias e apontado como de altíssima periculosidade chama-se, na verdade, Adilson da Daghia, 56 anos. Ele foi condenado pelo assassinato do juiz Antônio Jose Machado Dias, o Machadinho, mas está foragido. A polícia, no entanto, nega ter confundido os “Ferrugens”.

Com os apontamentos, porém, a polícia mudou o tom e a menção à liderança do PCC foi escanteada nos posicionamentos, embora o governo ainda acuse o homem de ser faccionado.

Em relatório de inteligência ao qual o Metrópoles teve acesso, a PM afirma que a confusão foi provocada por uma “divergência conceitual” sobre o que seria “sintonia”.

Segundo o relatório, o termo “sintonia final”, que antigamente era usado para se referir aos chefões do PCC, teria sido “banalizado” pelos próprios criminosos e agora estaria sendo utilizado em esferas regionais e até para se referir a lideranças de bairros e comunidades.

Família

À época da morte de Vieira, em uma postagem na rede social, uma familiar defendeu o homem e contestou as informações divulgadas pela polícia. Segundo ela, “a famosa ‘ficha cheia de passagens’ só existe na história que a TV contou”.

Ela também descreveu o advogado como alguém que costumava ajudar a comunidade e “era respeitado como advogado, empresário e pai”. “Era tão ‘temido’ que o bairro inteiro está de luto e completamente devastado com a sua partida”, escreveu.

Na Junta Comercial, Vieira aparece como sócio de empresa do ramo de motocicletas em Itaquaquecetuba. Ele também aparece como inscrito na OAB, na subseção do Arujá, desde junho de 2025.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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