
Logo após a megaoperação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) que desmantelou um esquema escancarado de venda de maconha e cocaína na tradicional Feira do Rolo, em Samambaia, alguns “comentaristas de Instagram” decidiram provocar a corporação diretamente nas redes sociais. E o resultado foi um dos diálogos mais inusitados e irônicos do noticiário policial recente.
Desta vez, não foi meme, dancinha ou treta de influencer. Foi traficante marcando presença no perfil oficial da PCDF. “Domingo que vem nois [sic] tá lá de novo”, escreveu um usuário, como quem confirma presença em um churrasco de família. A resposta da corporação veio seca, afiada, irônica e no mesmo tom: “ ‘Nois vai’ tá lá também. A gente se vê.”
Em outro comentário, um homem tentou diminuir o impacto da ação policial: “Domingo que vem é estralo na maconha. Adianta de porra nenhuma. Não pegou todos, tamo [sic] aí online”. A polícia, sem perder a oportunidade, respondeu com deboche institucional: “Opa, bom saber!”. Se a intenção era intimidar, saiu pela culatra.

Helicóptero, cães e 21 prisões
A troca de farpas digitais aconteceu depois da Operação Ílion, deflagrada por volta das 9h de domingo (8/2), pela 26ª DP, com apoio da 32ª DP e 27ª DP, além da Divisão de Apoio Logístico Operacional (Dalop), Divisão de Operações Especiais (DOE) e da Divisão de Operações Aéreas (DOA). Teve de tudo: helicóptero sobrevoando, cães farejadores, viaturas cercando a área.
O alvo era uma associação criminosa que havia transformado a Feira do Rolo, na Quadra 419 de Samambaia Norte, em uma espécie de “shopping center do tráfico”.
O resultado:
Operação empresarial
As investigações começaram em outubro de 2025, quando a polícia constatou que o grupo operava de forma praticamente empresarial: drogas cortadas, fracionadas e embaladas ali mesmo, ao ar livre, em plena feira, no meio de famílias, idosos e crianças.
Segundo a PCDF, os suspeitos chegaram a isolar um perímetro para garantir a venda sem “interferências”, ameaçando frequentadores com facas e armas de fogo. Um carro era usado como barreira para disfarçar a movimentação.
Nem a passagem de viaturas da Polícia Militar do DF (PMDF) nas proximidades parecia constranger o comércio ilegal, que seguia com a tranquilidade de quem acha que nada vai acontecer.
Além da banca, agora tem comentário
O episódio escancara uma nova faceta do crime: a ousadia digital. Se antes o recado era no boca a boca, agora é nos comentários do Instagram oficial da polícia — com direito a provocação pública.
Só esqueceram de um detalhe básico: marcar encontro com a polícia raramente termina bem para quem está do outro lado.
Se depender do tom das respostas, a PCDF já confirmou presença no próximo “evento”. E, pelo histórico recente, é bom levar documento porque a chance de sair algemado é grande.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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