
O governo de Pernambuco ainda não encaminhou qualquer documento à equipe de auditores do Ministério da Saúde responsável por analisar as contas do Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns.
A unidade privada tem entre os sócios o marido da vice-governadora Priscila Krause (PSD). A auditoria apura se o hospital foi favorecido com repasses de recursos públicos e eventuais vantagens contratuais.
O governo não entregou documentos que justifiquem o aumento dos repasses, aditivos em contratos e exclusividade na oferta de modalidades, como nefrologia.
O governo de Pernambuco pediu adiamento do prazo e, por isso, teve 20 dias para se explicar, mas até agora não apresentou nenhum documento. O último prazo venceu na quarta-feira (4/2).
Governadora reclamou de auditoria para Lula
Na última terça-feira, a governadora desembarcou em Brasília para se queixar diretamente ao presidente Lula da auditoria, que considerou uma tentativa de desgastar sua gestão. A denúncia que motivou a investigação foi apresentada por um aliado do prefeito João Campos (PSB), principal adversário de Raquel na disputa pelo governo do Estado.
Desde então, a investigação é acompanhada diretamente pelo gabinete do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
As suspeitas
De 2023 a 2025, o governo de Pernambuco teria repassado R$ 100 milhões ao hospital. Do valor, R$ 37 milhões foram enviados quando a vice-governadora substituía Raquel Lyra. A denúncia aponta 25 repasses nessas ocasiões.
O governo de Pernambuco nega a informação. “É mentirosa a afirmação de que a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro tenha recebido R$ 100 milhões entre os anos de 2023 e 2025. Nesse período, foram repassados aproximadamente R$ 67 milhões à instituição pelos serviços prestados”, afirmou à coluna.
“Nos períodos em que a vice-governadora Priscila Krause esteve como governadora em exercício, o valor transferido totalizou R$ 2.444.419,91. Também é mentirosa a afirmação de que os repasses teriam sido de R$ 37 milhões”, complementou.
O governo estadual confirma que não entregou os documentos solicitados pela auditoria e afirma que está dentro do prazo.
“Por fim, a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) informa que formalizou o pedido de prorrogação do prazo para envio das informações solicitadas pela auditoria do Ministério da Saúde, por meio do Ofício nº 47/2026/GAB/SES-PE, considerando o volume de documentos requerido. Em reunião realizada no dia 03 de fevereiro, na sede da Secretaria, com a equipe de auditoria, ficou repactuado que a nova data para encaminhamento da documentação será a sexta-feira (20/02)”, complementa.
A coluna fez três perguntas ao Ministério da Saúde:
– O governo de Pernambuco pediu prorrogação do primeiro prazo estabelecido para a auditoria no Hospital Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns. Quando o prazo venceu?
– O governo de Pernambuco forneceu os documentos solicitados pela auditoria? Em caso afirmativo, ofereceu a totalidade ou parcialmente?
– O ministro Alexandre Padilha está acompanhando o passo a passo da auditoria pessoalmente?
O ministério não respondeu a nenhum dos questionamentos. Enviou uma nota com o seguinte comentário:
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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