Planta brasileira ameaçada de extinção adapta crescimento ao clima

Divulgação/Júlia Ramos/Prefeitura de Parauapebas
Imagem colorida mostra flor de carajás - Metrópoles

Diante das mudanças climáticas, espécies animais e vegetais precisam arrumar um jeito de se adaptar ao cenário onde estão inseridas. Foi isso que a flor-de-carajás (Ipomoea cavalcantei) fez. Com risco de extinção, a planta endêmica no Pará ajustou as taxas de crescimento e fecundidade segundo o clima do ambiente.

A descoberta foi feita por pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e outras instituições brasileiras. Ela pode ser essencial para promover e guiar ações de conservação para a espécies endêmicas, como a flor-de-carajás. Os resultados foram publicados nessa quarta-feira (11/2) na revista New Phytologist.

“O estudo mostra que populações em ambientes contrastantes apresentam crescimento populacional semelhante, mas sustentado por conjuntos diferentes de taxas vitais”, aponta uma das autoras do estudo, Talita Zupo, em comunicado.

Mecanismo de adaptação da planta

Para detectar o comportamento do vegetal, os pesquisadores analisaram populações naturais de flor-de-carajás em duas áreas diferentes de cangas — um tipo de ecossistema onde as plantas afloram em crostas cheias de ferro. O local escolhido para observação foi a Floresta Nacional de Carajás, no sudeste paraense.

Entre as duas áreas analisadas, uma era a canga aberta, na qual há níveis altos de radiação, luz e temperaturas altas; já a outra era a canga arbustiva, onde o clima é mais ameno.

Os exemplares foram marcados e medidos entre 2022 e 2024 para avaliar requisitos como crescimento, sobrevivência, recrutamento (processo em que plantas jovens crescem e se tornam parte ativa da população) e produção de sementes. Também foram instalados sensores para monitorar a luz, o clima e suas variações no período.

Ao mesmo tempo, os cientistas fizeram testes controlados de germinação, quebra de dormência (técnica para “acordar” as sementes e acelerar a germinação) e estabelecimento de plântulas (plantas jovens) em laboratório. Nos experimentos, as sementes e as plantas eram expostas a condições climáticas simulavam o ambiente natural.

Em seguida, os resultados das análises em habitat natural e controlado foram comparados.

As plantas na canga arbustiva cresceram mais de tamanho e produziram mais sementes, porém poucas conseguiram germinar e se estabelecer. Enquanto isso, na canga aberta, as sementes germinaram mais segundo a proporção de quantidade, aumentando o número de plântulas. No entanto, as plantas jovens eram menores, quando chegavam na fase adulta. 

Para os cientistas, o achado mostra como as ações de conservação da espécie devem ser individualizadas e seguir de acordo com as particularidades do ambiente. Muitas vezes, habitats considerados “estressantes”, como a canga aberta, são descartados dos alvos prioritários de proteção da natureza.

“Em cangas abertas, ações que favoreçam recrutamento e estabelecimento inicial podem ser mais eficazes, enquanto a manutenção da sobrevivência e do crescimento de indivíduos adultos pode ser mais crítica em cangas arbustivas”, conclui Talita.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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