Tudo que auditores encontraram nos endereços da Fictor

Divulgação/Fictor
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O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) determinou que uma empresa de consultoria fizesse uma auditoria prévia das informações prestadas pela Fictor no pedido de recuperação judicial, apresentado no dia 1ª de fevereiro.

Os auditores visitaram mais de 15 endereços da Fictor, em São Paulo, Goiás, Amazonas, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. Encontraram portas fechadas, salas comerciais vazias, e até um depósito e uma pousada funcionando onde deveria existir uma usina de energia elétrica. Além disso, pelo menos sete subsidiárias indicadas pela Fictor em cinco estados nem sequer foram encontradas.

Na sede, em São Paulo, o auditor encontrou apenas funcionários da recepção e da limpeza trabalhando, além de uma equipe da área de tecnologia da informação. Os demais departamentos estavam vazios. Funcionários de outra empresa também estavam no local, desmontando os móveis.

De acordo com o relato apresentado pela consultoria, o auditor foi informado que parte da operação teria mudado de endereço, ele foi ao local indicado e, mais uma vez, encontrou mesas vazias. A justificativa, no entanto, foi de que os funcionários estariam trabalhando em regime de home office.

Ainda em São Paulo, os os funcionários da consultoria contratada visitaram a Usina Fotovoltaica Beira Rio, no município de Presidente Epitácio. Apesar de o local também estar vazio, a informação passada ao auditor foi de que o local estava em pleno funcionamento e que não havia a necessidade da presença constante de funcionários, uma vez que a operação era integralmente monitorada por meio de ferramentas tecnológicas. O consultor notou a existência de placas danificadas. Neste caso, a justificativa foi uma chuva de granizo que teria ocorrido dias antes.

Em Sorocaba, a visita foi à empresa Dr. Foods Alimentos, que produz ração para animais de estimação. O funcionamento, de acordo com o registro da consultoria, estava regular. A pouca quantidade de funcionários e insumos foi atribuída ao horário da visita, no fim da tarde. O responsável pelo local teria explicado que as atividades se concentram no período da manhã e que os materiais necessários para a produção são entregues diariamente.

Em Goiás, os auditores visitaram a Fictor Agro Comércio de Grãos, na cidade de Rio Verde. O endereço, como mostrou a coluna, é descrito nos materiais publicitários como a base operacional da Fictor na região Centro-Oeste.

Assim como o Metrópoles, que esteve no endereço em janeiro, os representantes da empresa de consultoria não encontraram ninguém. Dentro da sala sem identificação, havia apenas mobiliário básico, como cadeiras, mesas, frigobar e aparelho de televisão. No chão, foram encontradas diversas correspondências, como boletos.

Em Cocalzinho, também em Goiás, a visita foi à empresa Dynamis Clima. No endereço, como também mostrou o Metrópoles, funciona uma pousada, batizada de Riacho dos Pirineus. À reportagem, a responsável pelo local afirmou não saber como o endereço de sua pousada foi parar no processo de recuperação judicial. No local também foi encontrado um depósito sem qualquer identificação.

Ainda em Goiás, a empresa de consultoria visitou um endereço onde deveriam funcionar dez empresas do conglomerado Fictor. A auditora, no entanto, encontrou um prédio de salas comerciais. Ao tentar entrar, ela foi impedida pelos funcionários da recepção que também se recusaram a responder qualquer questionamento.

No estado do Amazonas, a visita foi ao endereço onde funcionar a empresa FW SPE Solar, no município de Altazes. No local informado, o auditor um alojamento pequeno e um pátio com máquinas pesadas, como carregadeiras e caminhões, além de pilhas de material de construção. O local era utilizado por funcionários que trabalhavam na execução de obras rodoviárias da região. Não havia qualquer placa ou informação que relacionasse o local à Fictor.

Em Manaus, onde deveria funcionar a FW SPE Solar 2, não havia nada. O auditor não localizou qualquer placa ou estrutura. Funcionários de outra empresa próxima informaram desconhecer a existência da subsidiária da Fictor na região.

No Rio de Janeiro, na cidade de Rio das Flores, deveria funcionar a Komorebi SCP. A visita do auditor, no entanto, encontrou uma estrutura sem qualquer identificação. Um funcionário do local disse que ali funcionava uma estação de energia solar, mas não permitiu que o auditor entrasse.

Também no RJ, houve visita ao endereço do Hotel Logístico G+, que atua na locação de boxes para armazenamento de objetos. O auditor encontrou apenas duas funcionárias trabalhando, uma na recepção e outra no setor comercial.

Em Jacarepaguá, a Fictor declarou ser dona da Rica Alimentos, especializada em processamento de frango. O auditor, no entanto, foi recebido no local pela equipe jurídica da empresa, que afirmou que a Rica nunca fez parte do grupo Fictor. A Rica teria apenas cedido espaço para a Fictor por meio de contrato, que havia, inclusive, sido rescindido.

Ao visitar o Consórcio Solaris, em Duque de Caxias, a consultoria encontrou uma empresa funcionando. Ao falar com o vigia, no entanto, ele afirmou desconhecer a empresa Consórcio Solaris e negou a entrada do auditor.

A consultoria também visitou endereços em Minas Gerais. Na cidade de Prados, a Fictor declarou ser dona do frigorífico Atalaia. Lá, no entanto, o auditor foi impedido de entrar, tirar fotos e falar com os funcionários.

Na cidade de Maravilhas, também em Minas Gerais, a visita ao Fredini Alimentos encontrou o frigorífico e abatedouro de aves em plena atividade. A informação prestada por funcionários foi de que a Fictor comprou o local em 2004 e que atualmente 430 funcionários trabalham no local.

Em Betim, os auditores estiveram no endereço da Mellore. O frigorífico foi adquirido pela Fictor após a Mellore entrar em recuperação judicial. A unidade estava em pleno funcionamento.

Os auditores também estiveram em Salvador, onde funcionária uma das filiais da Fictor Invest. No local, não havia nada que indicasse o funcionamento de um escritório da Fictor. Por conta disso, a entrada da auditora não foi autorizada.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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