Professora denuncia superlotação em escola: "Impossível alfabetizar"

Fotos Hugo Barreto/Metrópoles
Sala de aula

Uma professora da Escola Classe Arniqueira, no Distrito Federal, denunciou a superlotação nas turmas de 1º ano da unidade, que atende crianças de cinco e seis anos em fase de alfabetização. Segundo a docente, que preferiu não se identificar, a escola é a única da região e conta com apenas duas turmas de 1º ano, o que gera alta demanda todos os anos.

Em 2026, uma das salas, planejada para receber 28 estudantes, começará o ano letivo com 35 matriculados.

De acordo com a professora, o número excedente compromete o espaço físico e a dinâmica das atividades. “Fica lotada de meninos, de mesa, de cadeira e de mochila, sem condição nenhuma de trabalho”, relatou.

A direção da escola teria solicitado à Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) a construção de duas salas emergenciais modulares, prevendo o aumento da procura. O pedido, no entanto, foi indeferido sob alegação de falta de recursos.

“Também não é o ideal, porque o que é ideal é eles construírem a escola. É uma região grande e eles ficam fazendo os puxadinhos, aumentando a sobrecarga na direção e na escola, mas seria emergencial pela situação que a gente está vivendo hoje”, disse.

Ainda segundo a professora, neste início de ano houve pedidos de remanejamento para a unidade. Ao todo, 65 solicitações teriam sido feitas para o 1º ano, mas apenas sete foram aceitas.

Ela afirma que, em anos anteriores, a escola não costumava receber alunos de remanejamento para o 1º ano.

“Eu fiquei muito indignada, porque sempre a corda estoura para o professor. A qualidade de ensino da criança também se perde. É uma série de políticas públicas que vai virando descaso na educação, falta de recurso e acaba explodindo lá na minha sala de aula”, afirmou.

Com 21 anos de atuação na rede pública, a docente diz nunca ter vivenciado situação semelhante.

“É uma falta de respeito com o professor. E aí eu não tenho voz, eu não tenho saúde. Porque é uma situação que a gente não precisava passar. Eu não era para estar gastando minha energia agora procurando e fazendo uma denúncia”, declarou.

A professora também questiona como será possível cumprir metas do programa de alfabetização na idade certa com turmas superlotadas.

“Como eu vou alfabetizar 35 crianças na idade certa, no momento certo – que seria esse – se eu sou só uma, eu não tenho direito a monitora, eu não tenho direito a nada. Só a receber as crianças e empilhar elas dentro de uma sala de aula”, desabafou.

O que diz a SEEDF

Em nota ao Metrópoles a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) informou que o planejamento das turmas começou em outubro de 2025, com base na demanda observada à época, podendo passar por ajustes.

A pasta destacou que o número final de matrículas por turma só é consolidado após o 31º dia letivo, considerando transferências, desistências e reorganizações administrativas que costumam ocorrer no primeiro mês de aulas.

Sobre os pedidos de remanejamento, a secretaria esclareceu que as solicitações não garantem vaga automática, pois é preciso priorizar a “continuidade das crianças que já estão na instituição educacional, reduções de turma para atendimento da educação inclusiva e possíveis reprovações”.

Assim, são contempladas apenas as crianças dentro das vagas disponíveis.

A SEEDF informou ainda que o Centro Educacional (CED) Arniqueira está em construção, com previsão de entrega ainda este ano. “A nova unidade deverá ampliar a oferta de vagas na região e contribuir para equilibrar a demanda”, diz a nota.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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