Carnaval e voz: especialista alerta para os riscos do abuso vocal

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Foto colorida de foliões pulando Carnaval - Metrópoles

A explosão de alegria no Carnaval traz consigo um perigo invisível para muitos foliões: o esgotamento vocal. Entre trios elétricos e blocos de rua, o esforço excessivo para superar o barulho, aliado ao consumo de álcool e à privação de sono, forma o cenário ideal para o surgimento de rouquidão, dores e até perdas temporárias da voz, levando a um aumento significativo na procura por consultórios médicos logo após a folia.

Entenda

O inimigo invisível da folia

De acordo com a Ingrid Gielow, presidente da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, a voz é uma das principais vítimas dos excessos carnavalescos. O mecanismo é simples, mas perigoso: para se fazer ouvir em meio ao som alto, o folião tenciona excessivamente o aparelho fonador.

“Falar alto ou gritar exige um esforço intenso das pregas vocais, o que pode causar inflamações e até lesões”, explica a especialista. O problema é potencializado pelo ambiente: o ar seco, a poeira e a poluição sonora transformam a diversão em um campo de risco para a saúde auditiva e vocal.

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Gritos, longas horas de conversa em ambientes barulhentos, canto, consumo de álcool e noites mal dormidas aumentam significativamente os casos de rouquidão e problemas vocais após o feriado

A armadilha da desidratação

Muitos acreditam que a cerveja ou o drink ajudam a “lubrificar” a garganta, mas o efeito é oposto. O álcool promove a desidratação sistêmica e reduz a percepção de esforço.

“O álcool reduz a sensibilidade, fazendo com que a pessoa force ainda mais a voz sem perceber que está passando do limite”, alerta Ingrid.

Sem a hidratação adequada com água e sem o descanso reparador do sono, as fibras musculares das pregas vocais não se recuperam, resultando na famosa “voz de taquara rachada” na quarta-feira de cinzas.

Quando a rouquidão vira caso médico

Sentir a voz cansada após um dia de bloco é comum, mas Ingrid ressalta que o sintoma não deve ser normalizado se persistir. A orientação é clara: se a alteração vocal durar mais de duas semanas, a busca por um fonoaudiólogo ou otorrinolaringologista é indispensável. Negligenciar esse sinal pode transformar um problema temporário em uma patologia crônica.

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Guia de sobrevivência para sua voz

Para quem não quer ficar mudo antes do fim da festa, a especialista recomenda cinco atitudes fundamentais:

  1. Hidratação real: beba água constantemente. Lembre-se: álcool desidrata, água recupera.
  2. Proximidade física: em vez de gritar de longe, aproxime-se do interlocutor para falar.
  3. Pausas táticas: garanta momentos de silêncio absoluto durante o dia para as pregas vocais descansarem.
  4. Sono estratégico: durma o máximo possível entre as jornadas de folia para regenerar o tecido vocal.
  5. Escute seu corpo: ao notar cansaço ou falhas na fala, reduza o volume e a quantidade de conversas imediatamente.

“Cuidar da voz é cuidar da comunicação e da qualidade de vida. Pequenas atitudes evitam a ‘ressaca vocal’”, conclui a especialista.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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