A dança contemporânea do grupo Síntese Cia da Dança ocupou o foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional Claudio Santoro, nessa quinta-feira (12/2), em uma apresentação emocionante e inédita na exposição É Pau, É Pedra…, dedicada a Sergio Camargo e realizada pelo Metrópoles. As esculturas do artista foram pano de fundo para os bailarinos, que transformaram-se em extensões vivas das criações, explorando luz e sombra, elementos centrais na obra de Camargo.
Ao invés de palco e plateia bem definidos, o público foi convidado a circular, observando como a dança atravessava a exposição e ressignificava as obras. Na trilha, músicas de Tom Jobim e Pixinguinha deram o tom da iniciativa.
O resultado foi uma experiência imersiva, em que a dança contemporânea não apenas ocupou o espaço expositivo, como também o ativou. Ao misturar corpo, arquitetura e escultura, foram reveladas novas camadas da mostra organizada pelo Metrópoles, evidenciando como diferentes linguagens artísticas podem coexistir e se transformar mutuamente dentro de um mesmo cenário.
Adriano Santos, diretor do Teatro Nacional, relembrou os recentes eventos no espaço, como a própria exposição É Pau, É É Pedra e o Metrópoles Catwalk. “Ficamos felizes e honrados com essa parceria com o Metrópoles. Trazer essa diversidade de obras, com dança e outras linguagens, faz as pessoas relembrarem a história que têm com o Teatro.”
Ele reiterou que os brasilienses guardam uma memória afetiva com o complexo cultural. “Eu recebo visitantes todos os dias e muitos se emocionam. Dizem que estiveram aqui na infância… É um espaço que ficou bastante tempo fechado e, agora, ressuscita por meio das colaborações”, ressaltou Adriano.
Ary Cordeiro, diretor artístico e coreógrafo, salientou à editoria de Vida&Estilo que o espetáculo de dança foi a realização de um sonho. “Trabalhamos muito a ideia de repetição e variação, que também está presente nos relevos de Sergio Camargo. O corpo repete, insiste, mas nunca é exatamente igual”, contou.
Além disso, o coreógrafo comentou que o rigor formal das esculturas de Camargo serviram de inspiração. “Esse é um espaço expositivo, não um palco tradicional. Isso nos obrigou a pensar a circulação do público como parte da própria cena. A arquitetura impõe uma escala monumental, precisávamos de movimentos que ocupassem o espaço sem perder a delicadeza”, ponderou Ary.
O subsecretário do Patrimônio Cultural da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF), Felipe Ramón, reforçou que o Foyer da Sala Villa-Lobos tem sido reativado focando em diferentes formas de arte. “As artes aqui sempre foram transversais — aliaram artes visuais, literatura, música, dança e performance. Estamos retomando essa vocação, não apenas como espaço expositivo, mas como um lugar que recebe manifestações que se comunicam entre si.”
Felipe ainda destacou que a expectativa é que o foyer da Villa-Lobos fique cada vez mais ativo e relevante para o circuito artístico da cidade, e que as pessoas se apropriem desse espaço, que pertence à cidade e aos seus moradores.
Em breve, uma nova empreitada irá reforçar essa premissa: a mostra Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília, organizada pelo Metrópoles Arte e prevista para abril.
A exposição conta com o patrocínio dos Cartões Caixa e Visa Infinite, além do apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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