Gisèle Pelicot diz querer falar com ex-marido, condenado por estupro

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Gisèle Pelicot

Gisèle Pelicot, a mulher que denunciou o então marido após descobrir que foi drogada e estuprada durante anos por dezenas de homens na França, falou que quer encontrar o ex-marido na prisão porque ainda precisa de “respostas”. Dominique Pelicot foi sentenciado a 20 anos de prisão.

Uma dessas questões é a possibilidade de que o ex-marido tenha estuprado, também, a filha do casal, Caroline. Fotos dela dormindo de roupa íntima foram encontradas no laptop do pai e deu explicações contraditórias sobre isso. “O olhar incestuoso que ele lançava para a filha era absolutamente insuportável”, diz Gisèle a rede de televisão BBC.

Segundo ela, Caroline foi condenada a um “tormento perpétuo” ao descobrir as fotos. “A Caroline precisou de tempo, porque está cheia de ódio e raiva – sentimentos que eu não tenho”, diz Gisèle. “Eu não sinto ódio nem raiva. Me senti traída e ultrajada pelo sr. Pelicot, mas é assim que eu sou.”

Na longa entrevista, Pelicot revela como foi o momento em que descobriu que seu marido a drogava e a estuprava. Ele tinha sido intimado por filmar secretamente por baixo das saias de mulheres em um supermercado e ela o acompanhou à delegacia.

No local, um policial fez algumas perguntas a ela e depois mostrou uma foto de uma mulher, aparentemente sem vida. “Eu não me reconheci”, diz ela. “Essa mulher estava deitada na cama como se estivesse morta. Havia homens ao lado dela. Eu não os reconheci. Eu não os conhecia. Nunca os tinha visto.”

Foi nesse momento que ela descobriu que vinha sendo estuprada por dezenas de homens. Toda a ação, orquestrada por seu então marido, era gravada. Apesar disso, muitos dos homens não puderam ser identificados nas filmagens.

O caso Gisèle Pelicot

Em 19 de dezembro de 2024, Dominique foi considerado culpado por estupro com agravantes e por gravar e distribuir imagens das violações. A pena de 20 anos é a máxima para esse tipo de caso no país. Dominique também foi considerado culpado por gravar imagens sexuais de sua filha e de suas duas noras.

No ano passado, a Revista Time a elegeu uma das mulheres do ano por sua coragem. De acordo com a revista, Pelicot “está galvanizando um movimento para sobreviventes de violência sexual”.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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