Vale proíbe visitas às minas que vazaram e impede inspeção para avaliar riscos

Entrada da mina da Vale que transbordou

Desde que foram registrados vazamentos de rejeitos em duas minas exploradas pela Vale em Minas Gerais — nas cidades de Ouro Preto e de Congonhas — no fim de janeiro deste ano, a mineradora impediu visitas para a análise da situação do complexo e do risco de possíveis novos danos ambientais.

Na última sexta-feira (13/2), a Vale não permitiu o acesso da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A empresa alegou serem necessárias adequações na área, antes de receber os parlamentares, por questões de segurança.

O motivo da visita era, justamente, verificar as condições de segurança das estruturas minerárias, bem como os riscos à segurança da população, dos territórios e do meio ambiente.

Moradores diretamente impactados pela atividade minerária na região e lideranças ambientais também foram impedidos de entrar na empresa. Assim como representantes dos proprietários da Fazenda do Pires, área onde está instalada a Mina da Fábrica, em Ouro Preto.

Como mostrou a coluna, os donos da fazenda acionaram a Justiça reforçando o pedido de bloqueio de R$ 1 bilhão das contas da Vale. O objetivo é garantir que a mineradora reserve recursos para arcar com a reparação dos danos ao meio ambiente.

Além disso, a ação pede a suspensão imediata de todas as atividades mineradoras relacionadas ao complexo onde ocorreu o vazamento. O pedido sustenta que as estruturas são interligadas e que a retomada parcial das operações pode agravar o risco sistêmico

De acordo com laudos preliminares, o material que saiu da mina atingiu o Córrego Água Santa e o Rio Maranhão, importante afluente do Rio Paraopeba, responsável pelo abastecimento de parcela expressiva da região metropolitana de Belo Horizonte.

Ao solicitar que a ação seja julgada com urgência, o advogado Cristiano Volpe destaca o histórico da Vale na região. “Nos últimos anos, Minas Gerais tem sido palco de tragédias ambientais e humanas sem precedentes, com o rompimento de barragens que ceifaram vidas, devastaram comunidades e causaram danos irreparáveis ao meio ambiente”, diz.

O vazamento na mina em Ouro Preto ocorreu exatamente sete anos após a tragédia de Brumadinho, quando a barragem da Mina Córrego do Feijão, também da mineradora Vale, rompeu, liberando mais de 12 milhões de de rejeitos de minério de ferro. O desastre resultou na morte de 270 pessoas — 272 se contadas as grávidas.

No última sexta-feira (6/2), a Justiça de Minas Gerais negou o pedido da Advocacia-Geral do Estado de bloqueio de R$ 1 bilhão da Vale. Para o magistrado, o pedido de bloqueio de recursos da mineradora neste momento é prematuro, pois ainda não foi feito um levantamento sobre danos e indenizações a serem pagas.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *