Jovem diz que Turra sentia prazer em humilhar: "Regurgitou pudim e me deu"

Arte/Metrópoles
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Segundo a jovem, entre julho e agosto daquele ano, as situações teriam se tornado mais frequentes e agressivas. Em um dos episódios, ela contou que Turra ofereceu um pudim para que ela comesse.

Desconfiada, questionou a oferta, mas ele teria garantido que “estava tudo bem”. Depois que ela consumiu o doce, o ex-piloto de Fórmula Delta afirmou que havia comido e regurgitado o alimento antes de entregá-lo.

A adolescente disse ter ficado “muito enojada, a ponto de chorar e vomitar”.

Um amigo da vítima afirmou que presenciou o momento em que o pudim, descrito como “revirado”, foi oferecido. Ele disse não ter visto Turra regurgitar o alimento, mas declarou acreditar na versão da jovem, pois, segundo ele, seria “da índole dele fazer esse tipo de ‘brincadeira’ de mau gosto”.

Chicletes e empurrão no lago

Em outro relato, a adolescente afirma que Turra tinha o hábito de mascar chiclete e cuspir nas pessoas. Segundo ela, em diversas ocasiões, ele retirou o chiclete da própria boca e o grudou em seu cabelo. Mesmo após pedidos para que parasse, ele teria rido e repetido o comportamento.

A jovem também descreveu um episódio ocorrido em setembro de 2025, quando estava em uma lancha com integrantes do grupo de amigos no Clube Cota Mil, no Setor de Clubes Esportivos Sul.

Segundo o relato, enquanto admirava o lago, foi surpreendida por um empurrão dado por Turra, que a fez cair na água.

Apesar de saber nadar, afirmou que engoliu água ao cair, por ter sido pega de surpresa. Sem escada na embarcação, pediu ajuda para subir, mas, segundo ela, Turra e outro amigo apenas riram.

A adolescente disse ter precisado nadar até o deck para sair do lago e que sofreu arranhões nas pernas ao subir.

Ela afirmou que o piloto não pediu desculpas e que as “brincadeiras inadequadas” teriam se tornado cada vez mais perigosas, colocando sua integridade em risco.

Segundo o boletim de ocorrências registrado na 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires), um amigo da vítima disse que as situações envolvendo chicletes eram frequentes no grupo, embora ele próprio não participasse.

De acordo com ele, a adolescente demonstrava incômodo e reclamava das atitudes, mas acabou se tornando “a piada do grupo”. Ainda de acordo com o relato, após ele se afastar, em setembro de 2025, a jovem teria ficado mais vulnerável.

Tortura e vodca forçada

A mesma vítima já havia denunciado ter sido forçada por Turra a ingerir vodca durante uma confraternização realizada no Jockey Club, em 7 de junho de 2025. Segundo o relato, Turra insistiu para que ela bebesse e, diante da recusa, teria pedido que outras pessoas segurassem seu braço.

Veja:

Encurralada em um canto do evento, a jovem afirma que ouviu a ordem: “Abre a porra da boca”, antes de ter a bebida introduzida à força. Após o episódio, ela relatou ter sido deixada sozinha no local.

Em outro caso, dentro do carro de um amigo, estacionado em frente a um condomínio no Park Way, entre julho e agosto de 2025.

Ela relatou que Turra e outro amigo haviam saído do carro e começaram a “brincar de dar choques” um no outro, prática que, segundo ela, seria comum no grupo.

Em seguida, o amigo retornou ao veículo, fechou portas e janelas, deixando apenas a janela do lado em que ela estava aberta e, segundo a vítima, o clima mudou.

Ela afirmou que percebeu que “algo ruim iria acontecer” e tentou sair do banco de trás para o da frente, mas teria sido impedida pela esposa de Turra. Nesse momento, segundo o relato, o ex-piloto de Fórmula Delta passou a aplicar descargas elétricas contra a vontade dela.

A jovem disse que começou a chorar e a pedir que ele parasse. Ainda assim, conforme o relato, Turra teria aplicado choques nos seios, na barriga e nas pernas. Ela contou que disse estar com cólicas menstruais e que não queria receber as descargas, mas, mesmo assim, ele deu choques em seu ventre.

Histórico de agressões

Denúncias contra Pedro Turra ganharam força após ele ser preso por agredir o adolescente Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira (foto em destaque), 16 anos, que não resistiu às lesões causadas pelo ex-piloto da Fórmula Delta e acabou falecendo na manhã de sábado (7/2).


Entenda o caso


Em 28 de janeiro, o Metrópoles teve acesso ao vídeo que mostra  ocorrida em 19 de julho de 2025, em Águas Claras (DF). As imagens, gravadas em frente a um condomínio residencial, registram o piloto desferindo três tapas no rosto da vítima.

Veja:

A confusão teria começado após um desentendimento no trânsito envolvendo três veículos: um Chevrolet Prisma prata, conduzido pela vítima, além de um Porsche branco e um Fiat Fastback, ocupados por Turra, a esposa e outros dois homens.

No vídeo, Pedro Arthur afirma que agride o homem porque ele teria chamado, durante a discussão, a esposa dele de “piriguete”. Em tom de ameaça, o jovem ordena: “Pede desculpas para ela”. Enquanto a agressão acontece, ele também confronta a pessoa que grava a cena: “O que você tem a ver com isso?”.

Há, ainda, um registro de agressão ocorrido em junho de 2025, em Águas Claras, no qual Turra é acusado de atacar um jovem com um soco pelas costas e aplicar um “mata-leão”, após um desentendimento antigo. O Boletim de Ocorrência aponta que a vítima não reagiu por medo de represálias do grupo que acompanhava o piloto.

Prisão mantida

Na quinta-feira (12/2), a 2ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve, por unanimidade, a prisão preventiva de Pedro Turra.

O colegiado analisou habeas corpus apresentado pela defesa, que pedia a liberdade do piloto, que estava preso preventivamente desde 30 de janeiro . O relator do caso, desembargador Diaulas Costa Ribeiro, já havia negado a soltura em decisão anterior. Com o julgamento, os três desembargadores que compõem a turma decidiram manter a prisão.

Na quarta-feira (11/2), o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ofereceu denúncia contra Turra por homicídio doloso (quando há intenção de matar) por motivo fútil.

Com a mudança na tipificação criminal, Turra, se condenado, pode pegar uma pena de até 30 anos de prisão. O MPDFT também requer que o denunciado seja condenado à “reparação de danos morais causados à família da vítima”, estipulando o valor mínimo de R$ 400 mil.

Nesta sexta-feira (13/2), a Justiça do Distrito Federal decidiu tornar réu o piloto. Agora, Turra irá responder pelo crime de homicídio doloso qualificado por motivo fútil.

O que diz a defesa

Em nota, os advogados de Pedro Turra afirmaram que respeitam a decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT), mas divergem, de forma “técnica e fundamentada”, do entendimento adotado. Segundo a defesa, no caso concreto, houve supressão do devido processo legal e de direitos constitucionais assegurados a todo cidadão submetido à persecução penal.

Os representantes de Turra ressaltaram que a divergência “não traduz inconformismo retórico, mas exercício legítimo da advocacia”.

Ainda conforme a nota, a defesa informou que continuará atuando com “responsabilidade, rigor técnico e absoluto compromisso com a legalidade constitucional”, e que buscará a tutela da liberdade do assistido nos tribunais superiores.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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