
Wagner Moura está de volta ao teatro em grande estilo. O ator brasileiro apresenta a peça Um Julgamento: depois do Inimigo do Povo. Dirigido por Christiane Jatahy, o espetáculo transforma o palco em um tribunal e convida o público a decidir o destino do protagonista, em uma reflexão poderosa sobre ética, poder e os limites da democracia.
Inspirada na obra clássica Um Inimigo do Povo, de Henrik Ibsen, a montagem atualiza o texto de quase 150 anos para dialogar com temas urgentes como fake news, ciência, censura, interesses econômicos e responsabilidade coletiva.

Um tribunal em cena — e o público como juiz
Na trama, Wagner Moura vive o médico Thomas Stockmann, que denuncia a contaminação das águas termais de sua cidade, principal fonte de renda da região. Ao tornar pública a verdade, ele passa de herói a inimigo da população, acusado de ameaçar a economia local.
Agora, em um novo julgamento encenado diante da plateia, Stockmann tenta recuperar sua honra. A grande virada do espetáculo é que o júri muda a cada apresentação, sendo composto por pessoas da própria audiência, que decidem se o personagem é um defensor da verdade ou uma ameaça ao povo.
A proposta transforma cada sessão em uma experiência única, na qual o espectador deixa de ser apenas observador e passa a fazer parte ativa do desfecho.
Clássico de Ibsen ganha leitura contemporânea
Escrita em 1882, a obra original de Henrik Ibsen já denunciava o conflito entre interesses políticos, econômicos e a verdade científica. Na adaptação brasileira, o texto ganha ainda mais força ao dialogar com o mundo atual.
A montagem aborda a manipulação da informação, o papel da imprensa, os ataques à ciência, a fragilidade das democracias e o uso da “liberdade de expressão” como ferramenta de opressão. Segundo a sinopse, trata-se de um drama judicial com forte dimensão ecológica e política, mostrando como o preço da verdade pode ser alto quando ela ameaça estruturas de poder.

O retorno de Wagner Moura ao teatro após 16 anos
Um Julgamento marca o reencontro de Wagner Moura com os palcos depois de mais de uma década e meia dedicado majoritariamente ao cinema e às séries internacionais.
Seu último trabalho teatral havia sido Hamlet, em 2008. Desde então, o ator consolidou carreira global com produções como:
Mais recentemente, foi premiado em Cannes como melhor ator por O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, filme que também representa o Brasil na corrida pelo Oscar em 4 categorias, incluindo a de melhor ator.

Elenco híbrido e criação coletiva
Além de Wagner Moura, o espetáculo conta em cena com Danilo Grangheia e Julia Bernat. Outros nomes importantes participam em projeções de vídeo, como Marjorie Estiano, Jonas Bloch, Salvador Moura, Antonio Falcão, Henry Soares Paes Leme e José Moura.
A adaptação do texto foi desenvolvida por Lucas Paraizo, em parceria com Christiane Jatahy e o próprio Wagner Moura, em um processo de criação coletiva que conecta teatro, audiovisual e participação do público.
Uma coprodução histórica
Um Julgamento também nasce como um projeto internacional de grande relevância cultural. O espetáculo é coprodução inédita entre três dos maiores festivais de teatro da Europa:
É a primeira vez, desde a criação dos três eventos em 1947, que eles se unem em uma parceria conjunta. A colaboração marca o início das comemorações dos 80 anos dos festivais, que serão celebrados em 2027.
A peça circula pela Europa no próximo verão, passando por Amsterdã, Avignon, Edimburgo entre outras cidades.
Os ingressos já estão à venda, com valores que variam aproximadamente entre 21€ e 30€ (R$130 e R$185), dependendo do setor. Há também entradas com preço reduzido para pessoas com mobilidade reduzida.

Um espetáculo sobre quem controla a verdade
Ao transformar o público em juiz, Um Julgamento faz uma pergunta desconfortável, mas extremamente atual: quando a verdade ameaça interesses poderosos, quem realmente está contra o povo?
Quase um século e meio depois de Ibsen, Wagner Moura e Christiane Jatahy mostram que o conflito entre consciência moral e conveniência política continua mais vivo do que nunca.
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Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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