
O vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL), defendeu que o secretário-adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho, seja afastado “de imediato” e que seja dado “total acesso e liberdade” para que o Ministério Público apure as revelações feitas pelo Metrópoles sobre contratos milionários em nome de uma empresa cuja única sócia é uma moradora de um cortiço na zona norte da capital (relembre no vídeo abaixo).
O secretário-adjunto se viu envolto na crise após serem reveladas conexões com a mulher que aparece como sócia da empresa MM Quarter, que atuou como terceirizada na organização do Carnaval de São Paulo e outros eventos.
“Quando tomei conhecimento através da imprensa mandei mensagem para o prefeito falando que isso é gravíssimo e necessita de apuração. Na minha visão, encaminharia tudo ao MP dando total acesso e liberdade para apurar. Não compactuo com isso. Afastamento do funcionário de imediato e acesso ao MP irrestrito para apurar”, disse Mello Araújo à reportagem.
Nos bastidores da Prefeitura, a situação de Marinho é vista como “insustentável”. O próprio prefeito Ricardo Nunes mandou a Controladoria Geral do Município (CGM) abrir processo investigatório para apurar eventuais irregularidades reveladas em reportagens publicadas pela coluna Demétrio Vecchioli, no Metrópoles.
Apesar do descontentamento nos bastidores, a Prefeitura afirmou à reportagem na última semana que Marinho não mantém qualquer vínculo ou relação com a empresa Quarter. “A SPTuris atua com autonomia administrativa e decisória, não havendo qualquer tipo de ingerência ou influência da SMTur em seus processos de contratação”, destacou.
Entenda o caso
As conexões da MM Quarter
Nathália (a dona formal da MM Quarter) e Rodolfo Marinho (hoje secretário adjunto de Turismo) trabalharam no gabinete do deputado estadual Rodrigo Moraes (PL) em 2017. Ela, por menos de um mês, em outubro, e ele, de maio a agosto. Em 2018, ela entrou como sócia minoritária de Rodolfo na empresa de comunicação, com uma cota de R$ 1 mil. Já ele, de R$ 99 mil.
Rodolfo foi formalmente nomeado secretário de Turismo por Nunes em 20 de abril de 2022. Sete dias antes, sua então sócia “fundou” a MM Quarter. Na verdade, adquiriu uma empresa de prateleira, como são conhecidas firmas que só existem no papel e podem ser compradas por quem tem pressa para ter um CNPJ apto a ser contratado pelo poder público.
De cara, o capital foi integralizado para R$ 1,2 milhão, tendo Nathália – que já informava à Junta Comercial morar um cortiço na zona norte – como única sócia. No mesmo mês de maio em que Nathália deixou a sociedade com o secretário de Turismo da prefeitura, a Quarter já fechava seus primeiros contratos com a SPTuris, comandada por Gustavo Pires, que era do grupo político de Bruno Covas. Até o fim daquele ano de 2022, já tinha recebido R$ 1,8 milhão da gestão Nunes.
Marinho foi rebaixado a adjunto em 2025, quando o deputado estadual Rui Alves (Republicanos) foi nomeado secretário para que seu suplente, amigo do governador Tarcísio de Freitas, virasse deputado.
Marinho é apadrinhado do deputado Gilberto Nascimento (PSD), de quem foi assessor na Câmara dos Deputados, e do vereador Gilberto Nascimento Jr. (PL). A empresa de comunicação política, que teve Nathália como sócia e hoje ele mantém em sociedade com a esposa, recebeu R$ 565 mil das campanhas de pai e filho nas eleições de 2018 a 2024. Também recebeu R$ 150 mil de candidatos do PSC, então partido deles.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

Deixe um comentário