“Aliviado de não ter pressa”: Lula reage a mudanças em tarifas dos EUA

Ricardo Stuckert / PR
Presidente Lula fala com jornalistas na Índia

Nova Délhi – O presidente Lula (PT) reagiu neste domingo (22/2) às mudanças nas tarifas comerciais dos Estados Unidos sobre produtos estrangeiros. “Estou aliviado de não ter tido pressa, sabe, de fazer as coisas de forma precipitada”, comentou.

“Tomamos as decisões com muita cautela. Todos vocês sabem que tenho na minha cabeça a ideia de não tomar nenhuma decisão quando estou com 39 graus de febre. Tem que esperar a febre passar para a gente tomar a decisão. E eu acho que tomamos as decisões corretas”, declarou.

A Suprema Corte dos Estados Unidos determinou, na sexta-feira (20/2), a derrubada das tarifas impostas pelo presidente norte-americano. Em seguida, o presidente Donald Trump assinou um decreto que reduz as tarifas sobre produtos estrangeiros. As tarifas passam agora à alíquota de 15%.

Sobre a decisão, o presidente preferiu não se manifestar. “Agora tivemos a decisão da justiça americana, que tomou outra decisão, contrariando aquilo que era a tese do presidente Trump. Obviamente que eu não posso julgar a decisão da Suprema Corte de um país. Não julgo do meu, muito menos de outro país”.

Em meio ao cenário de instabilidade, o chefe do Palácio do Planalto analisa que a redução das tarifas para 15% já é positiva para os países afetados.

“Alguém recorreu, a Corte tomou a decisão. Certamente, ele já tomou novas medidas. Alguém vai recorrer, vai ter outra decisão. Da nossa parte, o que achamos é que houve um alívio para muitos países que estavam taxados em 50% e 40%. Houve um alívio. Agora, para todo mundo, vai ser 15%”, afirmou.

Na conversa com Donald Trump, prevista para ocorrer na segunda metade de março, Lula aposta que conseguirá retomar a normalidade da relação entre os dois países. “Estou convencido que, na conversa, a relação Brasil-Estados Unidos vai voltar à normalidade. Eles têm interesse, nós temos interesse. Se taxar alguns produtos nossos, vai causar inflação nos Estados Unidos e vai ser prejudicial ao povo americano”.

O presidente classificou ainda a forma como o presidente Trump tomou a decisão de impor tarifas comerciais sobre produtos estrangeiros como “anômala”.

“Fomos surpreendidos com o impacto das taxações dos Estados Unidos, porque ela foi feita de forma totalmente anômala, porque era uma coisa impensável você receber no Twitter a determinação de um país de taxar o outro. Antigamente, era feita uma reunião entre os ministros da Fazenda, entre os ministros da Indústria e Comércio. Mas, ele faz pelo o Twitter”.

Na mesma coletiva, o presidente Lula disse que pretende discutir em conversa com o presidente Donald Trump o papel dos Estados Unidos no mundo e afirmou que é preciso dar um basta nas ameaças que ele tem feito a outros países.

“Quero discutir com eles qual é o papel dos Estados Unidos na América do Sul. Qual é o papel deles? É de ajudar ou de ficar ameaçando? Agora está ameaçando o Irã, ou seja, é preciso colocar um paradeiro nisso”, afirmou o presidente em coletiva de imprensa na Índia neste domingo (22/2).

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *