
Entre armas, drogas e poder, uma operação em Tapalpa, município do estado de Jalisco, pôs fim ao reinado de Nemesio Oseguera Cervantes, vulgo “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) e criminoso mais procurado do México. Sua morte abre caminho para uma sucessão que pode redefinir a estrutura do grupo e o mapa do crime organizado no país.
Descrito no narcocorrido – subgênero musical mexicano cujas letras narram histórias do narcotráfico – como um homem de grande estatura e respeito, El Mencho é retratado como “o chefe dos chefes, o homem de Michoacán”.
“Onde quer que o homem esteja presente, sente-se o contrapeso. Uma lenda muito poderosa, de grande estatura e respeito, o homem de Michoacán é o chefe dos chefes, El Mencho”, diz a música “El Mencho”, do grupo Los Plebes del Rancho de Ariel Camacho
Nascido em julho de 1966, em Aguililla, o mexicano imigrou ilegalmente para os Estados Unidos na década de 1980. Em 1994, foi condenado por tráfico de heroína em tribunal federal no norte da Califórnia. Ele cumpriu pena e, posteriormente, foi deportado ao México, onde iniciou a trajetória no crime organizado que culminaria no comando do CJNG.
Operação e morte de El Mencho
Estrutura e sucessão do CJNG
O Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), fundado em 2009, manteve sob El Mencho uma hierarquia centralizada com liderança vertical, mas também atuava como uma rede de franquias, permitindo autonomia relativa a facções regionais. Essa estrutura expandiu o cartel por quase todo o México e facilitou sua infiltração em setores, como judiciário e forças de segurança.
A morte de El Mencho abriu um vácuo de poder dentro do cartel, tornando a sucessão uma questão crítica.
Diferentemente de outros cartéis, o grupo não possui um herdeiro direto: seu filho mais velho, Rubén Oseguera González — conhecido como “El Menchito” — cumpre pena perpétua nos Estados Unidos, o que elimina o sucessor natural.
Nesse cenário, o principal candidato ao comando é Julio Alberto Castillo Rodríguez, genro de El Mencho e conhecido como “El Chorro”.
Descrito no narcocorrido como alguém “pronto para agir e manter a ordem no território”, El Chorro se apresenta como uma figura de continuidade dentro de uma organização acostumada à disciplina de Oseguera.
Além do genro, existem outros líderes regionais com grande influência, como Audias Flores Silva (“El Jardinero”), Ricardo Ruíz Velasco (“Doble R”) e Heraclio Guerrero Martínez (“Tío Lako”), cada um com seu braço armado e território de atuação.
A ausência de um sucessor claro para El Mencho aumenta o risco de conflitos internos, e especialistas alertam que uma disputa pelo comando do CJNG pode elevar a violência em várias regiões do México.
Braços armados e Forças Especiais R1
El Mencho não caiu sozinho. Os braços armados do CJNG, como o Comando das Forças Especiais R (FER1), eram liderados por Rubén Guerrero Valadez, “El R1”, que também foi morto durante a operação.
Com sua morte, há incerteza sobre a lealdade das células.
Los Guerreros, clã familiar que controlava operações em Michoacán e Jalisco, continuará a exercer influência, mas agora com lacunas na cadeia de comando, possivelmente desencadeando disputas internas.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

Deixe um comentário