
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga uma denúncia de maus-tratos contra um menino de 2 anos no Centro de Educação da Primeira Infância Araçá-Mirim, em Sobradinho II.
Mãe do menino, a técnica de enfermagem Gessicarla de Almeida registrou boletim de ocorrência na última quinta-feira (26/2), após suspeitar da mudança no comportamento do filho e obter áudios reveladores por meio de um dispositivo de escuta escondido na mochila da criança.
A reportagem teve acesso aos áudios gravados dentro da sala de aula. Ouça:
A técnica de enfermagem relata que o menino começou a apresentar choro excessivo e resistência para frequentar a creche. Segundo ela, o filho demonstrava aborrecimento ao ver a mochila e dizia: “Mamãe, não quero ir para a ‘colinha’”.
Um equipamento de escuta foi colocado na mochila da criança. Ao analisarem as gravações, os pais relataram ter ouvido cenas de violência psicológica e negligência.
Funcionárias foram flagradas imitando o choro e os gritos da criança e proferindo frases como: “Pode chorar que sua mãe não vai vir te buscar”.
Em um dos trechos, ouve-se: “Vai adiantar você ficar chorando, não. Você não vai me ganhar no choro. Vai ficar o dia todo aí, nem que fique com fome”, diz a mulher ao menino.
Os áudios captados revelam que o menino chorava ininterruptamente durante o período das aulas. Em determinado momento da gravação, uma das funcionárias o ameaça: “Eu só vou ligar para o seu pai, para a sua avó e para a sua mãe quando você parar de chorar. Vai embora agora não, vai ficar o dia todo aí. Pode morrer de chorar”.
Segundo a mãe do menino, as principais suspeitas dos maus-tratos seriam duas monitoras e a professora responsável pela turma da criança.
O caso é apurado pela 35ª Delegacia de Polícia (Sobradinho II).
O Centro de Educação da Primeira Infância Araçá-Mirim é uma creche pública vinculada à Secretaria de Educação do Distrito Federal. A gestão é terceirizada ao Instituto Vitória-Régia.
O Metrópoles acionou a pasta para se manifestar sobre a denúncia de maus-tratos, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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