
Vítima de um golpe amoroso cometido por Jorge Murilo Oliveira Siqueira (foto em destaque), 30 anos, a ex-namorada do homem afirma que chegou a pagar fiança para tirá-lo da cadeia, em outubro de 2025, quando ele foi preso no Distrito Federal. À época, ele foi detido sob a acusação de furtar um taxista.
Ouça:
A história entre a mulher e o indígena começou quando ela conheceu Murilo — que tinha vindo de uma aldeia em Pernambuco — em terras próximas ao Santuário Sagrado dos Pajés, no Noroeste (DF), onde ela realizava trabalhos voluntários, em abril de 2025. Lá, a mulher ofereceu um emprego ao indígena, como motorista e segurança particular.
Jorge Murilo acabou indo morar com a vítima, em Paracatu (MG). Durante a convivência, de acordo com a mulher, eles acabaram se relacionando brevemente. Foi quando as coisas começaram a mudar. O suspeito passou a ser agressivo e teria, até, ameaçado a vítima de morte. Nesse momento, em outubro, ela decidiu dar um basta na situação e o colocou para fora de casa, momento que ele acabou se envolvendo no furto do taxista no DF.
“Ainda paguei para tirar ele da cadeia, pois ainda não sabia que ele me furtava. O que tinha ocorrido, até então, eram os surtos quando ele chegava dos bicos que fazia jogando futebol. Nesse último dia (outubro de 2025), ele chegou quebrando tudo, além de ter me chamado de vagabunda e puta”, afirmou.
A vítima ressaltou que a família do indígena é honesta. “Ele furtou R$ 50 de uma funcionária minha e a irmã queria pagar, de tanta vergonha que ficou. Ela conversou muito com ele, falando que ia tentar ir atrás desse dinheiro, pois a gente achava que ainda estava com ele”, recordou.
De acordo com ela, a irmã de Murilo disse que ele não se arrependeu do furto de R$ 60 mil. “Ela me falou, com muita clareza, que ele não tem o menor arrependimento e acha que fez certo. Na cabeça dele, eu tenho muito, ele é o ‘gostosão’ e merecia. Inclusive ele chegou a comentar que eu descobri com R$ 60 mil e poderia ter ‘esperado’ inteirar 100 (mil reais)”, disse.
A irmã teria dito ainda que o indígena perdeu tudo em apostas. “Parece que ele perdeu tudo em jogo (aposta esportiva). Sei que ele é viciado nisso mesmo. Hoje, não tem R$ 10 para comer. É a mãe que sustenta”, pontuou a vítima.
Segundo ela, o choro da mãe de Jorge Murilo, após a prisão no DF, a comoveu. “Ela mandou um áudio chorando e fiquei com dó. Naquele momento, pensei que ele ‘só’ tinha me xingado e, por pena, decidi que iria trazer ele de volta (a Paracatu), ajudar a se recuperar e mandar de volta para a aldeia. Foi nesse ‘voltar’ que acabei descobrindo os furtos”, afirmou.
Pagamentos em máquina de cartão
Os furtos teriam sido cometidos por Murilo no período em que o indígena trabalhava para ela em Paracatu, época em que estava passando por um momento de bastante fragilidade.
“Estava investigando um suposto câncer de mama, em tratamento hormonal para fertilização in vitro (FIV) e, logo em seguida, grávida. Além disso, passava por questões no trabalho que exigiam escolta de segurança e, por ser autista, isso tudo me deixou mais vulnerável a cair no golpe”, desabafou.
Foi se aproveitando de toda essa situação que Jorge Murilo teria cometido os furtos contra a mulher. “Percebi o primeiro pagamento em outubro, quando vi um valor na minha fatura. Ao contestar com o banco, descobri outros pagamentos, realizados na mesma máquina, utilizando dois cartões diferentes. No total, ele pegou cerca de R$ 54 mil”, recordou.
Nesse momento, a vítima decidiu dar um fim definitivo ao convívio com o indígena e ir atrás da Justiça. “Como a cidade onde moro é pequena, descobri onde o dono da máquina morava, fui até ele e o confrontei, que acabou confessando tudo, mostrando até conversas com o Murilo”, comentou.
Veja:
Ainda segundo a vítima, após pegar o celular que tinha dado para Murilo utilizar durante o período em que ele estava em Paracatu, a mulher descobriu que ele se aproveitou do vínculo para criar confiança com amigos e colegas de trabalho da vítima, para aplicar outros golpes, de menor valor. “Ele fingia que o pai tinha morrido ou uma filha estava doente para pedir Pix de R$ 20, R$ 30, R$ 50 ou R$ 100”, ressaltou.
Jorge Murilo acabou voltando para aldeia de Pernambuco, onde está. Procurado pela reportagem, Jorge Murilo disse que não tem “nada a declarar” sobre o assunto. O espaço segue aberto caso o indígena mude de ideia e queira se manifestar.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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