Construção de academia por R$ 3,6 milhões faz condomínio no DF entrar em ebulição

Material cedido ao Metrópoles
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Moradores do condomínio Ouro Vermelho II, no Jardim Botânico (DF), protestam contra a possível construção de uma academia cujo gasto pode chegar a R$ 3,6 milhões. Uma assembleia geral marcada para o sábado (28/2) deve decidir pela continuidade ou interrupção do projeto.

O valor de R$ 3,6 milhões seria dividido entre a construção do espaço e a compra de equipamentos. Caso o projeto saia do papel, a academia deve ter dois pavimentos e elevador panorâmico, contando ainda com salas individuais para modalidades como pilates, aeróbico e artes marciais.

Alguns moradores reclamam do valor, alegam que o tema foi levado para assembleia geral sem que tenha havido ampla discussão entre a vizinhança, apontam outras prioridades no condomínio e questionam a real finalidade da academia.

A diretora financeira da Associação de Moradores e Proprietários do Condomínio Ouro Vermelho II (Amprov-II), Eliane Morais, menciona uma obra de escoamento de águas pluviais a ser construída desde 2014 que nunca foi concluída e, na visão da moradora, deveria ser priorizada em detrimento da construção da academia.

“A falta de direcionamento correto das águas pluviais danificou o asfalto e causou muitos prejuízos financeiros e emocionais para muitos de nós”, pontua Eliane, em crítica à administração do Ouro Vermelho II. “Não deram importância para isso e preferiram dar andamento em um projeto de uma academia faraônica de mais de 3 milhões”, critica.

Para Eliane, a ideia de construir uma academia nestes valores representa “total descaso pelo sofrimento dos condôminos”. “Só se fala em fazer academia para valorizar os imóveis”, acusa.

R$ 965 mensais

A diretora financeira da Amprov-II lamenta ainda o gasto que a academia vai gerar para cada morador. Isso porque o projeto prevê taxa extra de R$ 295 para cada residência, a ser paga em 15 vezes. Paralelo a isso, a administração discute o aumento do valor condominial de R$ 528 para R$ 670 por mês. Se aprovadas, as medidas elevarão para R$ 965 o gasto mensal de cada família.

“A partir dessa má escolha da administração, as preocupações tomaram conta de todos. Serão muitos meses pagando taxa extra com algo que só interessa a um grupo de pessoas que escolheram o Ouro Vermelho II para ter lucros.”

O servidor público Maurílio Souza, 47 anos, morador do Ouro Vermelho II, não é contrário à implementação da academia, mas acha incorreto o valor de R$ 3,6 milhões a ser gasto. “Isso é orçamento para implementação de unidades das melhores academias do país”, analisa.

“Penso que os condôminos aceitariam um projeto de academia térrea, sem elevador panorâmico, com ventilação e iluminação natural, em valor que seria um terço menor do que o apresentado pela atual administração”, opina o morador.

Maurílio teme, ainda, que a taxa de R$ 295 mensais por 15 meses faça com que diversos vizinhos fiquem inadimplentes. “Muitos devem deixar de pagar o condomínio e as taxas extras e sofrerão graves consequências, inclusive a perda do imóvel”, diz.

Um morador que pede para não ser identificado tem a percepção de que “há muita coisa necessária a se fazer” antes de se pensar em uma academia. “Nós já pagamos taxas para a obra de escoamento de águas pluviais ao menos três vezes e nada de conclusão”, comenta. “Imagina aumentar o custo do condomínio só para manter uma academia de quase R$ 4 milhões enquanto temos problemas estruturais para resolver?!”.

A esperança do morador é que a maioria a votar na assembleia geral seja contrária à construção do empreendimento. “Seria um escárnio com nossos recursos”, encerra.

Opiniões divididas

Enquanto parte da comunidade protesta, outros apoiam a construção da academia. Entre críticas e parabenizações, é possível perceber a divisão por meio das redes sociais do Ouro Vermelho II.

“Sinceramente, apoio e acho válida a ideia de uma academia, mas deveria ser algo bem mais simples. Desculpe, mas, nesses termos, meu voto será não”, reprovou um morador. “Estou ansiosa para termos nossa academia, mais saúde a todos”, comentou uma vizinha.

“Excelente investimento. Além de proporcionar comodidade, saúde e segurança, trará valorização a todos os imóveis”, opina um rapaz. “Eu queria uma academia que fosse adequada à nossa realidade. Do jeito que está, está estranho”, diz outro.

Outro lado

Em contato com o Metrópoles, a síndica do condomínio Ouro Vermelho II, Liria Lis, assegurou estar seguindo a convenção do residencial. Ela conta que fez duas reuniões, com mais de 100 moradores, onde apresentou os orçamentos, antes de convocar a assembleia geral.

A advogada que trata dos temas jurídicos inerentes ao condomínio, Cristiane Queiroz, disse que a questão é “irrelevante e política”, movida por “meia dúzia de moradores que não aceitam a atual gestão”. Cristiane declarou que não responderá as acusações feitas pelos inquilinos que ilustram a reportagem, uma vez que, segundo ela, “o condomínio está pautado juridicamente”.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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