
Um estudo da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, mostrou que não basta cortar carboidratos ou gordura para reduzir o risco de doenças cardíacas. O mais importante é a qualidade do que vai no prato.
A pesquisa, publicada em 11 de fevereiro no Journal of the American College of Cardiology, acompanhou 200 mil pessoas ao longo de várias décadas. O objetivo foi entender como diferentes padrões alimentares influenciam o risco de doença cardíaca coronariana — condição causada pelo acúmulo de gordura nas artérias do coração.
Os resultados apontaram que dietas com pouco carboidrato (low carb) ou pouca gordura (low fat) são populares e praticadas há anos, mas, segundo o líder do estudo e pesquisador do departamento de nutrição, Zhiyuan Wu, o foco exclusivo na quantidade de carboidratos ou gorduras pode ser um erro.
“Nossas descobertas ajudam a desmistificar a ideia de que apenas reduzir carboidratos ou gordura é, por si só, benéfico”, afirmou Wu em comunicado à imprensa.
Segundo ele, o estudo mostrou que o que realmente faz diferença é a qualidade dos alimentos escolhidos dentro dessas dietas. Para a pesquisa, foram separadas as dietas em versões “saudáveis” e “não saudáveis” de low carb e low fat.
De forma geral, foram consideradas mais adequadas aquelas ricas em grãos integrais, frutas, vegetais, leguminosas, nozes, sementes e gorduras insaturadas, como o azeite.
Já os padrões menos saudáveis incluíam maior consumo de carboidratos refinados, alimentos ultraprocessados e maior quantidade de carnes e gorduras animais.
O resultado da análise indicou que pessoas que seguiam versões saudáveis dessas dietas tiveram cerca de 15% menos risco de desenvolver doença cardíaca.
Por outro lado, quem reduzia carboidrato ou gordura, mas mantinha uma alimentação baseada em produtos refinados e de origem animal, não apresentou o mesmo benefício — e, em alguns casos, teve risco maior.
O estudo também avaliou marcadores no sangue ligados à saúde do coração. Entre quem adotava dietas de melhor qualidade, foram observadas mudanças importantes:
Esses dois fatores estão diretamente associados à redução do risco de infarto e outras doenças cardiovasculares. Segundo Zhiyuan Wu, mais importante do que escolher entre “baixo carboidrato” ou “baixa gordura” é priorizar alimentos naturais, ricos em fibras e nutrientes, e reduzir produtos ultraprocessados.
“Promover um padrão geral de alimentação saudável, em vez de apenas restringir macronutrientes, deve ser uma estratégia central para prevenir doenças cardíacas”, afirmou Wu.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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