
Moradores do Centro de Atividades 6, no Lago Norte, estão temerosos pela quantidade de mato alto na região. No local, a vegetação densa trouxe animais peçonhentos, como cobras e escorpiões.
A reportagem foi até a região e constatou o problema, principalmente em dois terrenos abandonados, nos conjuntos 5 e 6. Por lá, a situação é preocupante, pois o mato está começando a invadir a calçada, tirando o espaço de mora na região.
Além das imagens produzidas durante a visita, moradores denunciam a presença de cobras e escorpiões dentro das casas e nas ruas. A mais recente ocorreu na manhã desta segunda-feira (2/3).
Veja:
Um morador, que não quis se identificar, disse que encontrou uma cobra dentro de casa, no dia 15 de janeiro.
“Era por volta das 21h. Cheguei na porta da cozinha para pegar água e vi algo se mexendo. Era bem fino e mexia muito. Olhei melhor e dei um grito, pois era uma cobra”, relatou.
Nesse momento, ele disse que saiu de perto e ligou para o Corpo de Bombeiros, que transferiu para a Polícia Militar.
“Enquanto a equipe não chegava, ficamos observando, para que a cobra não sumisse. Foi assustador, pois ela chegou a entrar em uma fresta e um dos militares cogitou fechar com um pano, pois não estavam conseguindo pegá-la. Mas, graças a Deus, ela foi capturada”, lembrou.
Sujeira há décadas
A bancária Shirley Ximenes, 58 anos, mora na CA 6 há cerca de 15 anos e conta que, desde quando chegou, convive com esse problema. “É um sacrifício. Às vezes, os próprios moradores se unem para ratear a limpeza dos terrenos, quando a situação está crítica. Um gasto que nem deveria ser nosso”, lamentou.
Segundo ela, outro morador da rua precisou assumir a responsabilidade pela limpeza de um dos terrenos, porque estava oferecendo muitos riscos para ele.
“A gente fica esperando que o poder público faça alguma coisa. Pagamos um IPTU (Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana) caríssimo, na esperança de que tenhamos um bom serviço de volta, só que, na prática, não é o que ocorre”, comentou a bancária.
Limpeza particular
O Metrópoles conversou com o morador citado por Shirley. É o empresário Igor Tales, 45, que mora bem ao lado de um dos terrenos que é alvo das reclamações. Segundo ele, como um dos terrenos fica bem próximo de sua casa, acaba tendo problemas o ano todo.
“Na seca, são os incêndios que, além da fumaça, estragam parte da minha cerca elétrica, do muro e das câmeras. Quando chove, o mato cresce e deixa o local propício para aparecimento de cobras e escorpiões”, explicou.
Por isso, de acordo com Igor, para se precaver, ele tira do próprio bolso para limpar parte do terreno. “Cada vez que contrato alguém, são R$ 2,5 mil para manter limpo um local que nem é meu”, disse.
O empresário afirmou que os principais problemas são a sensação de insegurança e a crescente na quantidade de animais peçonhentos.
“A Administração do Lago Norte, quando é acionada, diz para procurar a Terracap (Companhia Imobiliária de Brasília), pois dizem que os terrenos são da companhia. Abrimos diversos chamados, porém, nunca tivemos qualquer resposta da Terracap. E aí, a situação é essa”, lamentou.
Outro morador da CA 6, que não quis se identificar, classificou como preocupante a situação enfrentada no local. “Há anos, temos buscado, junto à administração, uma manutenção responsável da região, só que, infelizmente, não temos obtido resultados”, lamentou.
Segundo ele, o descaso é evidente e os moradores estão sofrendo as consequências. “A presença de cobras, caramujos africanos e escorpiões tornou-se frequente. Há tempos, denunciamos à administração a existência de dois lotes e duas grandes obras abandonadas. Mesmo com registros no portal cidadão, o problema de manutenção e abandono persiste”, apontou.
Obra abandonada
Além do mato alto, os moradores da CA 6 do Lago Norte, principalmente no conjunto 6, também convivem com outro problema. Uma obra abandonada está tirando o sossego de quem vive na região.
De acordo com Shirley, o prédio está embargado há cerca de oito anos, porém, o abandono já chega aos 20 anos. “É um grande perigo, pois, como está fechado, não dá para saber o que tem lá dentro”, pontuou.
“Na época de chuva, costumam aparecer muitos mosquitos da dengue. Além disso, muitos caramujos africanos também dão as caras, vindos do terreno”, acrescentou.
Sobre os problemas listados, a reportagem entrou em contato com a Administração Regional do Lago Norte, com a Secretaria de Estado de Proteção da Ordem Urbanística (DF Legal) e com a Terracap. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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